O Novaya Gazeta, um dos principais veículos independentes da Rússia, anunciou nesta sexta-feira, 30 de outubro, que encerrará suas atividades em 9 de novembro, após publicar uma última edição. Em comunicado, os jornalistas resumiram a decisão com a frase: "Eles nos mataram".
Segundo a equipe, o proprietário do imóvel onde funciona a redação decidiu não renovar o contrato de aluguel após 29 anos de ocupação. O endereço, na rua Potapovsky, em Moscou, também abriga um museu dedicado a Anna Politkovskaya, jornalista do veículo assassinada em 2006.
Os jornalistas também afirmaram que o banco usado para receber contribuições de leitores desativou o sistema de doações. Eles responsabilizaram o governo russo pelo fechamento e classificaram as medidas como parte de uma operação coordenada de repressão.
Fundado em 1993, o Novaya Gazeta foi cofundado por Dmitri A. Muratov, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2021 por sua defesa da liberdade de imprensa na Rússia. O jornal cobriu conflitos, investigou corrupção e denunciou ações de soldados russos no Donbass, no leste da Ucrânia.
Após a invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022, a publicação se posicionou contra a guerra e enfrentou novas leis de censura. Cerca de 60% dos jornalistas deixaram a Rússia e passaram a publicar o Novaya Gazeta Europa, enquanto a edição no país interrompeu a impressão depois que o governo revogou sua licença de veículo de comunicação de massa.
Muratov foi classificado pelo governo como "agente estrangeiro" e deixou o cargo de editor-chefe. No mês passado, todos os funcionários do Novaya Gazeta foram incluídos na lista de pessoas consideradas "agentes estrangeiros" pelas autoridades russas.
Fonte: O Globo