A Justiça argentina determinou a preservação de imagens do veículo usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para chegar ao aeroporto de Puerto Iguazú, onde embarcou rumo a Miami, nos Estados Unidos. A Polícia Federal brasileira também tenta reconstruir a rota percorrida por ele até a fronteira.
A ordem partiu da juíza federal María Eugenia Capuchetti, que pretende verificar se há indícios para abrir uma investigação sobre um suposto apoio de integrantes do governo de Javier Milei. A decisão inclui imagens de câmeras de órgãos federais que atuam na região, como a Direção Nacional de Migrações, a Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro, a Polícia de Segurança Aeroportuária e a Gendarmeria Nacional.
Segundo o governo argentino, Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. Ele teria usado o passaporte italiano e seguido em um jatinho para Guayaquil, no Equador, de onde partiu para Miami.
No Brasil, a PF apura como o senador saiu de Brasília e chegou a Foz do Iguaçu, em um trajeto de mais de 1.555 quilômetros. Os investigadores querem saber se ele contou com ajuda de empresários e aliados políticos e se fez o deslocamento por carro, avião ou helicóptero.
A investigação também busca identificar eventuais vínculos financeiros e logísticos relacionados à viagem. A PF analisa relatórios financeiros e mídias do advogado Willer Tomaz, que é investigado com Flávio por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
De acordo com a representação da PF, havia um risco concreto de fuga e uma estrutura financeira e logística à disposição do parlamentar. A corporação trata Flávio como investigado, e não como fugitivo.
A apuração sobre o senador é um desdobramento de um inquérito sobre supostos crimes relacionados a plataformas de apostas esportivas. A PF afirma ter encontrado vínculos entre Flávio e Tomaz após obter acesso a mensagens, e-mails e outros dados do celular do advogado.
Um e-mail analisado pelos investigadores indicaria que Flávio estava cadastrado como usuário master de uma conta bancária conjunta com Tomaz. Os dois negam irregularidades, e afirmam que o documento não comprova a existência de uma relação financeira compartilhada.
A deputada argentina Marcela Pagano, que faz oposição a Milei, pediu à Justiça que a PF, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal forneçam informações sobre a saída de Flávio. A oposição argentina questiona se o governo utilizou a máquina pública para ajudá-lo.
Segundo a imprensa argentina, o assessor de Milei Santiago Caputo teria acompanhado a movimentação de Flávio em Puerto Iguazú. O jornal The New York Times também informou que o funcionário da Casa Branca Jason Miller teria providenciado o jato usado pelo senador, enquanto o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria mantido contato com Miller.
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta na qual se declarou presidente eleito e depois alterou o texto para se apresentar como líder do Brasil. O presidente americano Donald Trump afirmou que permitiria a entrada do senador e de sua família por razões humanitárias, mas negou que fosse interferir no Brasil.
Fonte: O Globo