Os Estados Unidos cancelaram a tradicional foto dos ministros das Relações Exteriores do G20, em Atlanta, após diplomatas europeus se recusarem a posar ao lado do chanceler russo, Sergei Lavrov. O encontro ocorre em 30 e 31 de outubro de 2026.
Segundo duas autoridades americanas ouvidas pela Associated Press sob anonimato, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, decidiu suspender a fotografia na quinta-feira, ao concluir que a controvérsia desviaria a atenção dos debates.
A presença de Lavrov provocou desconforto entre aliados ocidentais dos Estados Unidos, especialmente em meio à intensificação dos ataques russos contra a Ucrânia. Alguns integrantes do G20 já haviam demonstrado preocupação com o convite à Rússia e com as dificuldades para obter consenso sobre a guerra.
Além do conflito entre Rússia e Ucrânia, os ministros discutem a liberdade de navegação, as tarifas comerciais americanas, a segurança energética e alimentar e as ações da China no Mar do Sul da China. As divergências também envolvem as tensões com o Irã e a preservação das cadeias de abastecimento de minerais críticos.
De acordo com autoridades americanas, Washington considera prioritário superar diferenças sobre a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, no Mar Vermelho, no Mar Negro e no Mar do Sul da China. A delegação chinesa é chefiada por um vice-ministro das Relações Exteriores, enquanto a maioria dos demais países enviou seus principais diplomatas.
A possibilidade de uma nova intervenção militar americana no Irã também provoca apreensão entre países do Oriente Médio, incluindo a Arábia Saudita. Segundo a AP, Washington orientou governos da região e aliados a se prepararem para possíveis ataques contra o território iraniano após as eleições legislativas americanas e para uma eventual retaliação de Teerã.
A participação de Lavrov ocorre durante uma deterioração das relações entre Washington e Kiev, após o presidente Donald Trump suspender novas sanções contra Moscou e limitar temporariamente a assistência logística e de inteligência à Ucrânia.
O encontro de ministros prepara a cúpula de líderes do G20 prevista para dezembro, no clube de golfe de Trump, em Miami. Ainda não está definido se o presidente russo, Vladimir Putin, aceitará o convite para participar da reunião.
A Ucrânia, que não integra o G20, não foi convidada para o encontro deste ano. A África do Sul, membro fundador do grupo e único país africano do G20, também ficou fora da lista; o governo sul-africano afirmou que a ausência não foi voluntária.
Em nota, o Departamento de Estado americano disse que Rubio vê a reunião como uma oportunidade para promover a cooperação em desafios econômicos e de segurança compartilhados. A pasta reconheceu, porém, que as diferenças entre os membros dificultam acordos abrangentes.
Fonte: O Globo