A Bayer venceu na quinta-feira, 29 de outubro, um julgamento em St. Louis, nos Estados Unidos, no qual três mulheres responsabilizavam o herbicida Roundup pelo desenvolvimento de câncer.
O veredicto unânime rejeitou a alegação de que o produto tinha falhas de projeto e não deveria ter sido comercializado. As autoras afirmaram ter desenvolvido linfoma não Hodgkin após exposição ao herbicida; Cynthia Fernandez morreu antes do início do julgamento.
O caso foi o primeiro teste judicial de argumentos alternativos após a Suprema Corte dos Estados Unidos barrar, em junho, ações que acusavam a Bayer de não incluir nos rótulos do Roundup um alerta sobre risco de câncer.
As ações da Bayer subiram até 5,2% no início do pregão de sexta-feira, 30 de outubro, em Frankfurt. A alta acumulada no ano chegou a quase 35%.
Analistas do Jefferies avaliaram que a decisão pode ter relevância para os caminhos jurídicos ainda disponíveis aos autores de processos contra a empresa.
A Bayer herdou o passivo judicial ao comprar a Monsanto, em 2018. Segundo a companhia, o litígio já custou mais de US$ 11 bilhões e ainda há cerca de 65 mil ações pendentes.
O CEO Bill Anderson prometeu reduzir significativamente o passivo até o fim de 2026. A empresa afirma ter obtido decisões favoráveis em 17 dos últimos 25 processos envolvendo o Roundup.
O principal passo restante é a decisão definitiva de um juiz estadual do Missouri sobre o acordo de US$ 7,25 bilhões proposto pela Bayer. A proposta, que busca resolver a maioria das ações atuais e futuras relacionadas ao herbicida, recebeu aprovação preliminar em março.
A Bayer citou avaliações de segurança da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e afirmou que as autoras não provaram que o Roundup deveria ser proibido. Bill Dodero, consultor jurídico-geral da empresa nos Estados Unidos e chefe global de contencioso, disse que o veredicto reforça a posição da companhia sobre as alegações de defeito de projeto, fraude e negligência.
Fonte: O Globo