Rocco Basilico, herdeiro da Ray-Ban, rejeitou uma oferta de € 3,5 bilhões (US$ 3,9 bilhões) feita por seu meio-irmão, Leonardo Maria Del Vecchio, por sua participação de 12,5% na Delfin Sarl, holding da família que controla a EssilorLuxottica, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
As fontes, que pediram anonimato, disseram que as participações da Delfin em empresas de capital aberto valem mais de € 40 bilhões (US$ 44,5 bilhões). A holding detém quase um terço da EssilorLuxottica, considerada a maior empresa de óculos do mundo.
A proposta é a mais recente tentativa de Leonardo Maria de ampliar sua participação na holding familiar. Ele deixou a empresa de óculos no início deste ano, após fracassar em uma oferta para comprar as participações dos irmãos Luca e Paola, que juntos detêm 25% da Delfin.
Desde então, Leonardo Maria passou a criticar publicamente Francesco Milleri, presidente do conselho de administração e diretor-presidente da EssilorLuxottica, que também preside a Delfin. Os dois eram aliados antes de o conselho da holding se recusar a garantir a proposta de € 10 bilhões (US$ 11,1 bilhões) apresentada por Leonardo Maria.
Cada um dos oito herdeiros de Leonardo Del Vecchio recebeu 12,5% da Delfin. As principais decisões da holding, porém, ficaram sob responsabilidade de Milleri e de outros executivos.
Sediada em Luxemburgo, a Delfin também possui participações relevantes em instituições financeiras italianas, como o Banca Monte dei Paschi di Siena SpA e a Assicurazioni Generali SpA.
Em entrevista transmitida na terça-feira pela rádio italiana RTL 102.5, Leonardo Maria, de 31 anos, afirmou ter orientado seus advogados a retirar as ações judiciais que movia contra os irmãos. "Chega de conflitos entre irmãos", declarou.
No início de outubro, Rocco Basilico vendeu por € 800 mil (US$ 890 mil) uma pequena parcela de sua participação na Delfin a Clemente Del Vecchio, o mais jovem dos herdeiros, segundo o jornal La Repubblica.
Os representantes de Rocco Basilico e Leonardo Maria Del Vecchio não quiseram comentar. A Delfin também não se manifestou.
Fonte: O Globo