Um trem de alta velocidade da Renfe atingiu na quarta-feira a traseira de uma composição da Iryo que estava parada na mesma via, na província de Toledo, na Espanha. A colisão deixou 68 mortos e dezenas de feridos.
O acidente ocorreu 17 minutos depois de a central de controle determinar que os trens retomassem a circulação em velocidade normal, após uma falha no sistema LZB, que controla a velocidade e freia automaticamente as composições na linha entre Madri e Sevilha.
Segundo o ministro dos Transportes, Óscar Puente, o problema de comunicação nos computadores fez cerca de seis trens pararem automaticamente. O controle passou a ser manual, e a composição da Renfe deveria ter permanecido parada porque a via à frente estava ocupada e havia um sinal vermelho.
Mesmo se recebesse autorização para avançar, o protocolo exigia que o trem circulasse à vista, a no máximo 40 km/h. De acordo com o jornal El País, um dos trens alertou que a marcha deveria ser lenta, mas a informação não foi repassada ao maquinista da Renfe.
A composição da Iryo, que levava 151 pessoas, parou na entrada da estação de Urda e não conseguiu reiniciar o sistema. Cinco minutos antes da colisão, a maquinista avisou à central que o trem continuava parado, mas o alerta também não chegou ao condutor da Renfe.
O trem da Renfe havia saído de Madri às 8h, com 393 passageiros, e percorreu cerca de 25 quilômetros até atingir a outra composição, por volta das 8h53 no horário local. A velocidade no momento do impacto ainda não havia sido determinada; naquele trecho, os trens podem chegar a 200 km/h.
A frente do trem da Renfe ficou destruída, enquanto dois vagões traseiros da Iryo tombaram e um terceiro descarrilou. Dos mortos, 24 estavam na composição da Renfe e 44 na da Iryo, segundo o governo de Castilla-La Mancha. Cerca de 15 pessoas estavam em estado grave ou crítico, e outras 53 foram hospitalizadas com ferimentos moderados.
O controlador responsável pelo trecho foi interrogado pela Guarda Civil e passou a ser investigado. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, decretou três dias de luto oficial e afirmou que, se houve negligência, ela será esclarecida.
O ministro Óscar Puente classificou como “inexplicável” a decisão de liberar a circulação em velocidade normal. A colisão foi apontada como o acidente ferroviário mais letal na Espanha desde 2013, quando um descarrilamento perto de Santiago de Compostela matou 80 pessoas.
Fonte: O Globo