A Trafigura Group e o Mubadala Capital suspenderam, em 28 de outubro de 2026, os planos de venda do Porto Sudeste, terminal de minério de ferro no Rio de Janeiro, após receberem ofertas abaixo do esperado, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
Uma das fontes afirmou que as propostas ficaram cerca de 30% abaixo da expectativa dos vendedores, afetadas pela queda nos preços do minério de ferro. A Bloomberg havia informado anteriormente que as empresas avaliavam o ativo em US$ 5 bilhões.
Os proprietários não têm pressa para concluir a operação e pretendem manter o porto até obter uma oferta melhor, de acordo com outra fonte. Pequenos produtores brasileiros que usam o terminal enfrentam custos maiores de frete e preços menores do minério, fatores que reduziram as margens e levaram a cortes na produção.
O Porto Sudeste atraiu o interesse de fundos e empresas de infraestrutura. A Global Infrastructure Partners, da BlackRock, avaliava uma proposta com a Vale e a Gerdau, mas o presidente-executivo da siderúrgica afirmou na segunda-feira que a empresa já não fazia parte do consórcio.
A Stonepeak apresentou uma proposta em conjunto com a M Resources, empresa de logística sediada em Brisbane, na Austrália. A I Squared Capital também esteve entre os interessados, segundo informações divulgadas anteriormente pela Bloomberg.
O terminal movimentou o volume recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, ante 21,9 milhões de toneladas no ano anterior. A capacidade é de aproximadamente 50 milhões de toneladas, conforme o relatório financeiro mais recente.
Conectado por ferrovia a Minas Gerais, o porto atende mineradoras brasileiras e oferece acesso a mercados internacionais, principalmente no Sudeste Asiático. Trafigura e Mubadala Capital, braço de investimentos de um fundo soberano de Abu Dhabi, compraram o controle do terminal em 2014 da MMX Mineração & Metálicos.
A Trafigura recusou-se a comentar. A Mubadala não respondeu imediatamente ao pedido de manifestação.
Fonte: O Globo