A Polícia Federal apura se o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial, contou com apoio do governo argentino de Javier Milei para deixar o Brasil e viajar aos Estados Unidos. Ele chegou a Miami em 28 de outubro, após entrar na Argentina na noite anterior.
Entre os indícios analisados está a presença de Santiago Caputo, assessor próximo de Milei, em Puerto Iguazú, cidade argentina na fronteira com Foz do Iguaçu. Segundo a imprensa argentina, Caputo acompanhou a movimentação de Flávio na região.
Parlamentares argentinos de oposição a Milei pediram, em 27 de outubro, uma investigação para verificar se o governo colaborou com a saída do senador. De acordo com o jornal La Nación, um contato próximo de Caputo teria acertado o voo para Miami em um jato da empresa Baires Fly.
O avião, um Gulfstream G400 de prefixo LV-JQW, pertence a uma empresa de táxi aéreo ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro. Segundo informações citadas na reportagem, ele é investigado na Argentina por suspeita de participação em um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a recursos desviados da Agência Nacional de Deficiência (Andis).
O Ministério da Segurança argentino informou que Flávio atravessou a fronteira pela ponte Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, às 22h50 de 27 de outubro. O governo argentino afirmou que não havia “nenhum impedimento legal” para a entrada dele no país.
Flávio registrou a saída da Argentina às 23h52 usando o passaporte italiano. O jato fez uma escala no Equador antes de seguir para os Estados Unidos, que autorizaram a entrada do senador e de seus familiares, segundo o Departamento de Estado.
Os passaportes brasileiro e diplomático de Flávio estavam cancelados por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes desde 26 de outubro. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, que apontou risco de fuga após a derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Investigadores afirmam que não havia mandado de prisão preventiva nem pedido de captura internacional contra Flávio. A PF o investiga por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas online.
Em 28 de outubro, o senador não entregou os documentos no prazo determinado por Moraes. Segundo as informações fornecidas, o descumprimento não resultou em ordem automática de prisão.
Fonte: O Globo