Moradores de Oleshky, cidade ucraniana ocupada pela Rússia, enfrentam fome e cozinham plantas dos quintais após três anos sem eletricidade, gás e água. Uma trégua iniciada em 27 de outubro deve permitir a entrada de alimentos e remédios e a saída de civis até o domingo seguinte.
As estradas de saída foram minadas e são monitoradas por drones. A rota acordada passa por território russo, o que leva moradores a temer detenções, ferimentos, revistas em celulares e redes sociais ou impedimentos para retornar à Ucrânia.
Segundo estimativa de Kiev, até 6 mil pessoas permanecem em Oleshky e nos arredores, incluindo cerca de 200 crianças. Aproximadamente 1.700 estariam na cidade, que tinha 24 mil habitantes antes da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
Relatos à BBC indicam que apenas um hospital funciona parcialmente, alguns dias por semana, para realizar amputações urgentes. Uma moradora que pisou em uma mina terrestre afirmou ter passado por duas cirurgias e teme não conseguir participar da retirada.
O Ministério da Defesa da Rússia informou que suas tropas fazem reconhecimento de engenharia e retiram explosivos e armadilhas das principais vias. Ainda não foram esclarecidos detalhes como o local de inscrição para a retirada, o transporte de animais de estimação e o destino dos moradores que deixarem suas casas.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que as rotas desminadas levarão os civis em direção à Rússia, embora alguns possam chegar ao território ucraniano. O chefe de gabinete de Zelensky, Kyrylo Budanov, disse que o sucesso e a segurança da operação são críticos.
A missão humanitária é atribuída pelo comissário de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, à mediação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, em cooperação com a comissária russa de Direitos Humanos, Yana Lantratova. Segundo comunicado de Melania, os moradores receberão apoio e transporte para o destino que escolherem.
Em Kherson, do outro lado do rio Dnipro, a trégua reduziu temporariamente os ataques de drones, mas moradores relataram apreensão. Segundo a CNN, dois civis morreram e 38 ficaram feridos na região desde 20 de outubro, incluindo seis crianças.
Fonte: O Globo