As macieiras de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul entraram em floração nas últimas semanas, com áreas cobertas por flores brancas e rosas no início da primavera. Juntos, os dois estados respondem por mais de 90% da produção nacional de maçãs.
A florada inicia o ciclo que dará origem à safra 2026/2027. Antes de retomar o desenvolvimento, as plantas precisam passar por um período de dormência e acumular horas de frio, condição favorecida pelas temperaturas baixas mais constantes deste ano.
Segundo Moisés Lopes de Albuquerque, diretor executivo da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), o inverno teve boas condições de frio e favoreceu a indução floral. Ele afirmou que o cenário representa um começo positivo para o novo ciclo.
A polinização é uma das etapas decisivas para a formação dos frutos. Abelhas e outros polinizadores transportam o pólen entre as flores, contribuindo para a fecundação, a fixação das maçãs e o desenvolvimento das plantas.
Albuquerque disse que a expectativa é de uma safra equilibrada em volume e de boa qualidade. A colheita está prevista para começar no início de 2027, após outras etapas do ciclo de produção.
Na safra 2025/26, o Brasil colheu aproximadamente 1,6 milhão de toneladas de maçãs, maior volume da série apresentada na reportagem. O resultado quase dobrou as cerca de 850 mil toneladas registradas nas duas temporadas anteriores e superou o recorde de 1,3 milhão de toneladas alcançado em 2017.
No nordeste do Rio Grande do Sul, a empresa Frutini registrou uma florada longa e abundante em 700 hectares, distribuídos entre Vacaria, Bom Jesus, Campestre da Serra e Muitos Capões. A gerente de produção, Monique Aliprandini, atribuiu o resultado ao maior número de dias frios na região e espera repetir as 24 mil toneladas colhidas na temporada passada se as condições climáticas forem favoráveis.
Em Vacaria, o produtor Aurélio Dalaio afirmou que a florada foi muito boa em seus 200 hectares. A variedade Gala representa 70% da produção, enquanto a Fuji corresponde a 30% e teve florescimento mais irregular, segundo ele, em razão do atraso na colheita anterior e do excesso de chuvas.
Dalaio colheu 8 mil toneladas na última safra, com produtividade média de 35 toneladas por hectare. Ele afirmou que áreas com árvores mais antigas chegaram a produzir 70 toneladas por hectare, mas também manifestou preocupação com a possibilidade de uma nova safra volumosa reduzir os preços enquanto os custos de produção aumentam.
Fonte: O Globo