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terça-feira, 27 de outubro de 2026

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Anglo American defende que Brasil negocie minerais críticos com todos

CEO da Anglo American no Brasil defende que o país negocie minerais críticos com China, Estados Unidos e outros blocos geopolíticos.

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A CEO da Anglo American no Brasil, Ana Sanches, afirmou em entrevista na segunda-feira, 26 de outubro, que o país deve negociar minerais críticos com todos os blocos geopolíticos, sem tomar partido na disputa entre China e Estados Unidos.

“Temos que negociar com todo mundo. Não tem por que a gente escolher um lado”, disse Sanches, que também preside o conselho diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

O Brasil tem uma das maiores reservas mundiais de terras-raras, usadas em veículos elétricos, turbinas eólicas e drones. Segundo a executiva, o país precisa equilibrar as relações com a China, seu maior parceiro comercial, e com os Estados Unidos, que buscam reduzir a dependência de Pequim em minerais críticos.

Sanches defendeu rapidez na regulamentação da nova política de minerais críticos. O projeto de lei aprovado em setembro prevê poderes especiais para um conselho governamental aprovar fusões, aquisições e contratos de fornecimento, além de incentivos ao processamento interno, mas ainda não foi regulamentado.

Para a executiva, a regulamentação deve estabelecer critérios e prazos claros. Ela também citou o combate à mineração ilegal, a ampliação do mapeamento geológico e a previsibilidade no licenciamento como medidas necessárias para o setor.

Sanches afirmou ainda que o Brasil deveria considerar o minério de ferro de alta qualidade um mineral crítico. Segundo ela, esse tipo de minério, por ser escasso, terá papel crescente na descarbonização da produção de aço.

As operações brasileiras da Anglo American permanecem concentradas no complexo Minas-Rio, que reúne mina em Minas Gerais, planta de beneficiamento, mineroduto e porto no Rio de Janeiro. O projeto produz minério com cerca de 67% de teor de ferro.

A empresa vendeu recentemente suas operações de níquel no Brasil para a chinesa MMG. As companhias tentam evitar um possível veto da União Europeia ao negócio, avaliado em US$ 500 milhões, segundo a fonte.

A Vale detém 15% do Minas-Rio, e as duas mineradoras estudam integrar o complexo ao projeto Serpentina, da Vale, localizado em área contígua. De acordo com Sanches, uma decisão de investimento será tomada depois da conclusão dos estudos de viabilidade, que ainda estão em andamento.

Apesar da queda de 12% nos preços realizados do Minas-Rio no terceiro trimestre, atribuída ao aumento dos custos de frete, a Anglo não planeja reduzir a produção. Sanches disse esperar recuo nas tarifas marítimas e afirmou que a guerra levou a empresa a redirecionar cargas destinadas à Bahrain Steel para mercados da Ásia, Norte da África, Europa e Japão.

Fonte: O Globo

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