Ir para o conteúdo

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

QUESTIONAMENTO

Trump questiona vitória de Lula e compara eleição brasileira à derrota para Biden em 2020

Presidente americano contestou o resultado sem apresentar provas de irregularidades; petista derrotou Flávio Bolsonaro e conquistou o quarto mandato.

Compartilhe
WhatsApp
Trump questiona vitória de Lula e compara eleição brasileira à derrota para Biden em 2020

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou neste domingo (25) a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira. O republicano comparou o resultado à disputa americana de 2020, quando perdeu para o democrata Joe Biden e se recusou a reconhecer a derrota. A declaração, divulgada pela Agência EFE e reproduzida pelo Times Brasil, não foi acompanhada de provas de irregularidades.

“Eles simplesmente aplicaram a mesma estratégia do Joe Biden no Brasil. Bolsonaro tinha uma grande vantagem no primeiro turno e era o favorito absoluto para vencer o segundo. Mas os comunistas não abrem mão do poder depois de conquistá-lo”, afirmou Trump, conforme a tradução da declaração.

A manifestação ocorreu após a confirmação da reeleição de Lula. Segundo os números publicados pelo Times Brasil, o petista alcançou 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O resultado assegura ao presidente brasileiro uma quarta passagem pelo comando do Executivo federal, feito inédito na história do país.

Ao associar a eleição brasileira à americana, Trump retomou uma referência recorrente de seu discurso político: a contestação da vitória de Biden em 2020. A comparação, porém, não veio acompanhada da identificação de uma ocorrência concreta que demonstrasse alteração de votos no Brasil. O presidente americano apresentou uma avaliação política sobre o desfecho da disputa.

A declaração também reuniu duas questões distintas: a vantagem de Flávio na primeira rodada e a expectativa de vitória na votação seguinte. Embora o candidato do PL tenha terminado o primeiro turno na liderança, esse desempenho não garantia a repetição do resultado no segundo, quando os eleitores voltaram às urnas para escolher entre apenas dois concorrentes.

Conforme os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral após a primeira etapa, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, equivalente a aproximadamente 2,2 milhões de votos. Esses números dimensionam a vantagem citada por Trump, que a classificou como “grande”.

A afirmação de que Flávio era “favorito absoluto” também precisa ser confrontada com o quadro apresentado pelas pesquisas na reta final. O último levantamento do Datafolha, divulgado no sábado (24), mostrou o senador com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, em situação de empate técnico diante da margem de erro de dois pontos percentuais.

A pesquisa ouviu 4.050 eleitores em 124 municípios nos dias 23 e 24 de outubro. Encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, o levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-09540/2026. A vantagem numérica de Flávio, nesse caso, coexistia com a incerteza estatística sobre o vencedor.

A vitória de Lula marcou a primeira reversão de resultado entre os dois turnos de uma eleição presidencial desde a redemocratização. Até então, todos os candidatos que haviam vencido a etapa final também tinham terminado a primeira votação na liderança. O petista rompeu esse padrão ao superar o senador do PL.

Na avaliação da Deutsche Welle, a reação da campanha de Lula após o primeiro turno combinou mobilização nas ruas, maior presença nas redes sociais e esforços para estimular o comparecimento de seus eleitores. A reportagem também destacou a redução da abstenção e o desempenho do presidente em Minas Gerais entre os elementos da virada.

No plano internacional, a permanência de Lula mantém a centro-esquerda no governo da maior economia sul-americana em um período de avanço de forças de direita na região. Argentina, Chile e Colômbia estão entre os países mencionados pela cobertura internacional como exemplos dessa mudança de orientação política. O resultado brasileiro preserva uma diferença relevante nesse cenário regional.

A manifestação de Trump acrescenta uma dimensão diplomática à repercussão da eleição. Uma declaração de um presidente estrangeiro pode influenciar o debate público e a relação entre governos, mas não altera, por si, o resultado proclamado pelas autoridades eleitorais brasileiras. Também não equivale automaticamente a uma medida formal de Washington sobre o reconhecimento do governo eleito.

O próximo ponto de atenção será a passagem do discurso político para eventuais decisões oficiais. Será necessário acompanhar se a Casa Branca apresentará um posicionamento diplomático específico e como o governo brasileiro responderá. Até lá, o elemento concreto da manifestação é a contestação pública de Trump, feita sem provas de irregularidades na declaração divulgada, diante de uma vitória confirmada pela Justiça Eleitoral.

Leia também