A Lista dos Estudantes lidera as eleições legislativas realizadas neste domingo, 25 de outubro, na Sérvia, segundo projeção do instituto Ipsos/CeSID. O presidente Aleksandar Vučić reconheceu a derrota de seu Partido Progressista Sérvio (SNS), que estava no poder havia 14 anos.
A projeção aponta 52% dos votos para a lista apoiada pelo movimento estudantil, contra 39,3% para o SNS. O resultado daria aos estudantes 138 das 250 cadeiras do Parlamento, acima das 126 necessárias para formar maioria, enquanto o partido de Vučić ficaria com 104 assentos.
“Com base em uma amostra estratificada, está claro que perdemos estas eleições”, disse Vučić a apoiadores reunidos na sede do partido, em Belgrado. O presidente afirmou que os resultados definitivos ainda não haviam sido divulgados, mas indicavam vitória da oposição.
A votação registrou participação superior à das eleições parlamentares de 1993, até então a maior em mais de três décadas. Às 18h, duas horas antes do fechamento das urnas, quase 65% dos 6,4 milhões de eleitores registrados já haviam votado.
A Lista dos Estudantes é formada por candidatos apoiados pelo movimento que organiza protestos contra o governo há quase dois anos. A mobilização começou após o desabamento da cobertura da estação ferroviária de Novi Sad, em 2024, tragédia que matou 16 pessoas e foi associada por manifestantes à corrupção e à negligência das autoridades.
Dezoito listas disputaram as 250 cadeiras, mas os principais partidos da oposição desistiram da corrida e passaram a apoiar os candidatos estudantis. O grupo reúne professores, médicos, artistas, acadêmicos e personalidades do esporte, em uma composição sem liderança centralizada e com pouca experiência política.
Antes da votação, 24 organizações não governamentais sérvias afirmaram que não estavam reunidas as condições para eleições “livres e justas”. Observadores relataram irregularidades e episódios de violência nas proximidades de seções eleitorais, enquanto vídeos nas redes sociais mostraram suspeitas de preenchimento antecipado de cédulas na cidade de Niš.
Vučić acusou repetidamente o movimento estudantil de tentar promover um golpe de Estado financiado por forças estrangeiras. O presidente também encurtou seu segundo mandato à frente do Estado para liderar a campanha do SNS, depois de convocar eleições antecipadas em meio à pressão dos protestos.
Fonte: O Globo