Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) consideram que não há elementos para anular o segundo turno da eleição presidencial, cujo resultado foi anunciado no domingo (25) com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A avaliação contraria o senador Flávio Bolsonaro (PL), que não reconheceu a derrota e anunciou que recorrerá à Justiça para tentar invalidar o pleito. Integrantes das duas cortes avaliam que eventuais questionamentos da campanha não devem prosperar.
Ao anunciar a vitória de Lula, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a extensão do horário de votação, determinada após denúncias de problemas no transporte público, não comprometeu a apuração. Segundo ele, a decisão judicial não alterou o resultado.
O TSE também classificou como falsa a declaração de Flávio de que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre durante a apuração. De acordo com a Justiça Eleitoral, o espaço não é aberto à visitação, enquanto outras áreas, como a Sala de Totalização, podem ser acompanhadas por fiscais, observadores, advogados e integrantes do Ministério Público.
A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos. Lula recebeu 64,2 milhões, ou 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio somou 59,8 milhões, equivalentes a 48,21%.
Levantamento do g1 com base em dados do TSE indicou que 35.521 votos foram registrados depois das 17h de domingo, no horário de Brasília. O número corresponde a 0,81% da vantagem de Lula e foi obtido a partir dos logs das urnas, arquivos que registram eventos e horários de funcionamento.
Ministros também citam que a própria campanha de Flávio pediu ao TSE a extensão da votação até as 19h em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, afetados por problemas no transporte e fortes chuvas.
O episódio gerou críticas internas nas duas cortes. A decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, foi vista por integrantes da Justiça Eleitoral como interferência na competência do TSE, enquanto uma ala do Supremo questionou o tempo levado por Nunes Marques para analisar as denúncias sobre o transporte de eleitores.
Após a confirmação do resultado, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que a vontade dos eleitores deveria ser respeitada e defendeu que eventuais divergências fossem resolvidas dentro dos limites da Constituição.
Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também reconheceram a vitória de Lula e telefonaram para parabenizá-lo. Alcolumbre declarou que a democracia havia vencido, enquanto Motta elogiou a segurança e a rapidez da apuração.
Fonte: O Globo