O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no Brasil após superar Flávio Bolsonaro (PL), contrariando a sequência recente de vitórias de candidatos de oposição e de representantes da direita radical nas principais economias da América do Sul.
Das 19 eleições realizadas no período pós-pandemia e compiladas pelo economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, apenas cinco terminaram com a vitória de candidatos de continuidade. Além da eleição brasileira, houve dois casos no Equador, um no Paraguai e outro na Guiana.
Segundo Imaizumi, a economia ajuda a explicar a rejeição aos governos em exercício. A inflação provocada pela pandemia elevou os preços, que continuam acima do patamar de poder de compra anterior à crise, mesmo com a taxa sob controle.
“O nível de preços ainda é alto. Ou seja, não é que os preços estão caindo, e sim subindo mais devagar. Ainda não retornamos ao patamar do poder de compra pré-pandemia”, afirmou o economista.
O cientista político Guilherme Casarões, professor da Florida International University e coordenador do Observatório da Extrema Direita, avalia que a região vive uma onda antissistema incorporada com mais eficiência pela direita. Para ele, a dificuldade de governos de diferentes correntes em melhorar as condições econômicas e de segurança fortaleceu a chamada “maldição do incumbente”.
Com a reeleição de Lula, Brasil, Suriname, Guiana e Uruguai são apontados no texto como os países sul-americanos menos populosos sob governos de esquerda. O cenário regional mudou desde 2023, quando também estavam no campo progressista Argentina, Chile, Colômbia e Bolívia.
A tendência recente inclui vitórias de nomes considerados mais à direita, como Javier Milei, na Argentina; Abelardo de la Espriella, na Colômbia; José Antonio Kast, no Chile; e Keiko Fujimori, no Peru. O texto também cita a aproximação entre essas forças e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
Durante a campanha, Milei participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro. Os ataques do argentino a Lula provocaram uma crise diplomática entre Brasil e Argentina, segundo o texto, e o presidente brasileiro usou o país vizinho como exemplo negativo ao criticar a proposta de corte de gastos do adversário.
Fonte: O Globo