Empresas brasileiras passaram a oferecer telemedicina, sessões de terapia e cartões de desconto para consultas e exames como alternativas ou complementos ao plano de saúde. A estratégia é usada por companhias maiores para ampliar o cuidado e controlar despesas, enquanto pequenas e médias empresas buscam garantir algum acesso à saúde aos funcionários.
O movimento ocorre em um mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego ficou em 5,3% em agosto, a menor para o mês desde 2012, segundo o conteúdo original, o que aumenta a disputa pela retenção de profissionais.
Pesquisa do instituto Ideia apontou que o plano de saúde é a segunda condição de trabalho mais valorizada pelos trabalhadores, atrás apenas da estabilidade. Para as empresas, porém, o custo do benefício tem pressionado os orçamentos, especialmente entre negócios de menor porte.
Dados compilados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram reajuste médio de 12,9% nos contratos com menos de 30 usuários, voltados a microempreendedores individuais e pequenas e médias empresas. O índice supera a inflação acumulada de 4,58% em 12 meses até setembro, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na rede de clínicas Dr. Consulta, aumentou a procura de empresas pelo cartão que oferece descontos em consultas e exames. O CEO Massanori Shibata Jr. afirmou que os clientes são principalmente pequenos varejistas, restaurantes e startups que não conseguem custear um plano tradicional, mas querem oferecer algum benefício de saúde.
Entre as grandes empresas, o reajuste médio dos contratos de planos de saúde foi de 8,27% neste ano, segundo a matéria. Na Motiva, antiga CCR, um programa de atenção primária criado em parceria com o Fleury gerou economia de R$ 22 milhões em dois anos, conforme a companhia.
O programa atende 16 mil funcionários e 22 mil dependentes com consultas presenciais e on-line com médicos de família, ortopedistas, psiquiatras e psicólogos. Segundo Tania Gallegos Ranieiri, especialista em Saúde Suplementar e Auditoria em Saúde da Motiva, 80% das queixas são resolvidas no serviço.
Uma pesquisa realizada na empresa por uma consultoria independente indicou que, entre 2024 e 2025, os usuários do programa tiveram 11% menos idas a prontos-socorros e 46% menos internações do que os funcionários que não utilizaram o serviço.
A telessaúde também é oferecida diretamente por empresas especializadas. A Conexa informa ter 10 mil empresas contratantes, que somam 35 milhões de usuários, enquanto a Starbem afirma atender 1 milhão de usuários de 16 mil contratantes.
Os serviços incluem consultas médicas de urgência e com especialistas, além de sessões de psicologia, nutrição e fonoaudiologia. Gabriel Garcez, vice-presidente médico da Conexa, disse que algumas empresas, principalmente do varejo, não conseguem oferecer convênio a todos os colaboradores e recorrem à telessaúde para cobrir ao menos a parte ambulatorial.
Para Vanessa Cepellos, professora de Gestão de Pessoas da FGV Eaesp, benefícios de menor custo podem ser uma alternativa para empresas com orçamento reduzido, mas iniciativas pontuais também podem ser prejudiciais no longo prazo se forem adotadas apenas para reduzir despesas.
Fonte: O Globo