O presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, reconheceu neste domingo (25) a derrota do Partido Progressista Sérvio (SNS) nas eleições legislativas do país. Segundo projeção do instituto Ipsos/CeSID, a Lista dos Estudantes obteve 52% dos votos, contra 39,3% do partido governista.
"Com base em uma amostra estratificada, está claro que perdemos estas eleições", afirmou Vučić a apoiadores reunidos na sede do SNS, em Belgrado. Os resultados oficiais ainda não haviam sido divulgados.
A projeção indica que a lista apoiada pelo movimento estudantil deverá conquistar 138 das 250 cadeiras do Parlamento, acima das 126 necessárias para formar maioria. O SNS ficaria com 104 assentos, segundo o levantamento; Vučić mencionou 105 durante o discurso.
Quase 65% dos 6,4 milhões de eleitores registrados haviam votado até as 18h, duas horas antes do fechamento das urnas. O índice superou a participação registrada nas eleições parlamentares de 1993, quando pouco mais de 61% dos eleitores compareceram.
A Lista dos Estudantes reúne candidatos apoiados pelo movimento que há quase dois anos lidera protestos contra o governo. A mobilização começou após o desabamento da cobertura da estação ferroviária de Novi Sad, em 2024, que matou 16 pessoas e foi amplamente associado à corrupção e à negligência das autoridades.
Formada por 250 nomes escolhidos em assembleias estudantis, a lista inclui professores universitários, médicos, artistas, acadêmicos e personalidades do esporte. O principal compromisso do grupo é combater a corrupção, mas a falta de experiência política e de uma liderança centralizada levanta dúvidas sobre sua capacidade de formar um governo.
As eleições ocorreram sob acusações de possíveis fraudes e relatos de irregularidades nas proximidades de seções eleitorais. Vinte e quatro organizações não governamentais haviam afirmado, antes da votação, que não estavam reunidas as condições necessárias para um pleito livre e justo.
O movimento estudantil mobilizou voluntários para acompanhar a votação nas 8.210 seções eleitorais do país. A organização de observação CRTA relatou ocorrências e episódios de violência, mas a polícia não confirmou casos graves relacionados ao pleito.
Vučić convocou as eleições antecipadas em setembro, citando turbulências políticas internas. Impedido de disputar um terceiro mandato presidencial, ele encurtou o segundo mandato para liderar a campanha do SNS e tentar voltar ao cargo de primeiro-ministro, que ocupou até 2017.
Fonte: O Globo