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domingo, 25 de outubro de 2026

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CIÊNCIA

Startup americana afirma produzir ouro estável a partir de mercúrio

Startup americana afirma ter convertido mercúrio em ouro estável com reações nucleares, mas o resultado ainda não foi confirmado de forma independente.

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A startup americana Marathon Fusion afirma ter transformado mercúrio em ouro estável por meio de reações nucleares realizadas em setembro, em São Francisco, nos Estados Unidos. A empresa diz ter superado em dez vezes uma marca atribuída ao Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), mas não informou quanto ouro foi obtido.

Fundada em 2023 por Kyle Schiller e Adam Rutkowski, ex-engenheiro da SpaceX, a Marathon desenvolve tecnologias para futuras usinas de fusão nuclear. A produção de ouro não é o objetivo principal da companhia, que busca viabilizar a geração de energia pelo mesmo processo que alimenta o Sol.

Segundo a empresa, o método usa nêutrons de alta energia produzidos em reações de fusão para atingir átomos de mercúrio-198. A interação gera mercúrio-197, um isótopo radioativo que decai e dá origem ao ouro-197, forma estável do metal.

O processo é chamado de transmutação nuclear porque altera o núcleo atômico e converte um elemento químico em outro. A Marathon já havia apresentado, em um estudo divulgado em 2025, simulações que estimavam a produção de cerca de duas toneladas de ouro por ano por uma usina com potência térmica de um gigawatt.

A projeção depende de uma instalação de fusão em escala industrial e não representa a quantidade obtida no experimento anunciado pela empresa. Os dados divulgados até agora consistem em resultados de espectrometria que, segundo a Marathon, indicariam sinais do processo de formação do ouro.

Não foram apresentados dados públicos suficientes para confirmar o resultado de forma independente ou avaliar a eficiência da técnica. A ausência de informações detalhadas também impede uma comparação conclusiva com os experimentos do CERN.

Em maio de 2025, o laboratório informou que colisões de núcleos de chumbo no Grande Colisor de Hádrons produziram aproximadamente 86 bilhões de núcleos de ouro entre 2015 e 2018, equivalentes a 29 picogramas do metal. Os núcleos existiram por uma fração de segundo antes de se fragmentarem em novas interações dentro do acelerador.

Uma eventual produção comercial poderia ampliar a oferta de ouro, mas a tecnologia precisaria gerar quantidades relevantes a custos competitivos. A Marathon ainda não divulgou estimativas que permitam comparar o custo da transmutação com o da extração mineral, nem detalhou as condições de processamento e os requisitos de segurança relacionados aos isótopos radioativos.

Fonte: O Globo

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