A startup americana Marathon Fusion afirma ter convertido mercúrio em ouro estável por meio de reações nucleares em um experimento realizado em setembro. A empresa, sediada em São Francisco, diz ter superado em dez vezes uma marca atribuída ao Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), mas não informou quanto ouro foi produzido.
Fundada em 2023 por Kyle Schiller e Adam Rutkowski, ex-engenheiro da SpaceX, a Marathon desenvolve tecnologias para futuras usinas de fusão nuclear. A produção de ouro não é o principal objetivo da companhia, que busca viabilizar a geração de energia pelo mesmo processo que alimenta o Sol.
Segundo a empresa, o método usa nêutrons de alta energia gerados em reações de fusão para atingir átomos de mercúrio-198. A interação transforma o material em mercúrio-197, um isótopo radioativo que decai e origina o ouro-197, forma estável do metal.
O processo é chamado de transmutação nuclear porque altera o núcleo atômico e converte um elemento químico em outro. Em um estudo divulgado em 2025, a Marathon estimou, com base em simulações, que uma usina com potência térmica de um gigawatt poderia produzir cerca de duas toneladas de ouro por ano.
A projeção depende de uma instalação de fusão em escala industrial e não representa a quantidade obtida no experimento anunciado em setembro. A empresa divulgou dados de espectrometria que, segundo ela, indicariam sinais ligados à formação do ouro, mas ainda não apresentou informações públicas suficientes para uma confirmação independente.
Em maio de 2025, o CERN informou que colisões de núcleos de chumbo no Grande Colisor de Hádrons (LHC) haviam produzido aproximadamente 86 bilhões de núcleos de ouro entre 2015 e 2018. O resultado equivalia a 29 picogramas do metal, e os núcleos existiram por uma fração de segundo antes de se fragmentarem.
A Marathon afirma ter superado esse resultado em dez vezes, mas a falta de dados detalhados sobre a quantidade produzida e os parâmetros do experimento impede uma comparação conclusiva. Ainda não há estimativas divulgadas sobre o custo da técnica, sua eficiência ou as exigências de segurança relacionadas aos isótopos radioativos.
Fonte: O Globo