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sábado, 24 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Disputa entre bem-estar social e empreendedorismo pressiona contas públicas

Economista do FGV Ibre afirma que a disputa entre bem-estar social e empreendedorismo dificulta o ajuste das contas públicas.

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O economista Manoel Pires, coordenador do Centro de Política Fiscal e Orçamento do FGV Ibre, avalia que a campanha presidencial deste ano revela uma disputa entre um modelo de Estado de bem-estar social e outro baseado no estímulo ao empreendedorismo.

Em entrevista ao GLOBO, Pires afirmou que as propostas associadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT priorizam a ampliação de serviços públicos e da proteção social. Já a campanha de Flávio Bolsonaro, segundo o economista, dá mais ênfase à iniciativa individual e ao empreendedorismo.

De acordo com Pires, os dois modelos pressionam o Orçamento por caminhos diferentes. A agenda de bem-estar social amplia despesas, enquanto a de empreendedorismo pode elevar benefícios e renúncias fiscais, como nas promessas de retomada do Perse e de criação do ViraPix.

O economista disse que a disputa dificulta o ajuste das contas públicas porque cada lado usa as propostas do adversário para pressioná-lo a assumir compromissos fora de sua própria agenda. Como exemplo, citou a cobrança para que Flávio Bolsonaro indique quais gastos sociais seriam cortados e iniciativas de Lula voltadas a microempreendedores individuais, renegociação de dívidas e ao Simples.

Pires também afirmou que o modelo de bem-estar social contribuiu para a melhora dos indicadores sociais, mas teve resultado questionável no desempenho econômico. Segundo ele, a evolução do PIB per capita brasileiro ficou atrás da observada em outros países emergentes, enquanto ainda não está claro se a agenda de empreendedorismo produzirá resultados efetivos.

Para o economista, as duas agendas avançam em um ambiente de restrição fiscal. A incorporação de propostas do outro campo aumenta a pressão sobre as contas públicas e contribui para um processo de fadiga fiscal, marcado pela dificuldade de gerar resultados primários suficientes para estabilizar e reduzir a dívida.

Fonte: O GLOBO

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