Três homens foram presos na quinta-feira (22) em Banabuiú, no sertão central do Ceará, suspeitos de ameaçar e cobrar taxas de comerciantes em nome de uma facção criminosa.
Segundo a investigação, mensagens intituladas “Edital Banabuiú” começaram a circular em 19 de outubro. O texto, atribuído ao Comando Vermelho e assinado pela chamada “Diretoria de Banabuiú”, condicionava a venda e a distribuição de água no município à autorização do grupo.
As ameaças foram enviadas a comerciantes por aplicativos de mensagens nos dias 20 e 21 de outubro. Os suspeitos exigiam R$ 200 para permitir o funcionamento de estabelecimentos e há relatos de cobranças semanais de R$ 750.
Uma escola municipal suspendeu as aulas em 21 de outubro por falta de abastecimento de água. A reportagem informou que não obteve resposta da Prefeitura de Banabuiú sobre a situação da unidade.
Os presos são Cícero Kevin Gomes Farias, Francisco das Chagas de Lima da Silva, conhecido como “Chico Motos”, e Carlos Fernando da Silva Andrade. Conforme o processo, eles teriam diferentes funções na estrutura de cobrança e arrecadação do grupo, mas não havia confirmação de que fossem os responsáveis pela elaboração do edital ou integrantes da suposta diretoria.
Durante a ação, foram apreendidos três celulares, um notebook, um pendrive e cerca de R$ 800 em dinheiro. Na casa de Francisco das Chagas, os policiais encontraram um revólver calibre .38, cinco cartuchos e outras cinco munições, segundo o auto de prisão em flagrante.
A investigação também apura a cobrança coercitiva de dívidas de agiotagem, com suposto repasse de aproximadamente 5% dos valores emprestados à facção. Os três homens são suspeitos do crime de domínio social estruturado.
Em audiência de custódia realizada em Quixadá, a Justiça converteu as prisões em flagrante em preventivas. O juiz afirmou que a liberdade dos investigados poderia comprometer os depoimentos de vítimas e testemunhas e dificultar a identificação de outras pessoas afetadas.
O magistrado também determinou a transferência do caso para a Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Fortaleza. As acusações ainda serão analisadas no curso da investigação e do processo judicial.
Fonte: g1 Ceará