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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

Levantamento aponta 92 casos de CACs ligados ao crime organizado em dez anos

Instituto Sou da Paz identificou 92 casos públicos de CACs ligados a organizações criminosas em 21 estados entre 2016 e outubro de 2026.

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Um levantamento do Instituto Sou da Paz identificou 92 casos públicos de envolvimento de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) com organizações criminosas entre 2016 e outubro de 2026. Os registros estão distribuídos por 21 estados e incluem suspeitas de desvio de armas e munições legalmente adquiridas, além de integrantes de facções que teriam obtido registros de CAC.

São Paulo concentra o maior número de ocorrências, com 18 casos, seguido pelo Espírito Santo, com 11, e pelo Rio de Janeiro, com 10. O levantamento foi elaborado a partir de processos, boletins de ocorrência, inquéritos e reportagens sobre episódios que se tornaram públicos.

Segundo o instituto, dois padrões aparecem nos registros: pessoas habilitadas que compram armas e munições para repassá-las ao crime organizado e integrantes de grupos criminosos que obtêm o registro em nome próprio, em alguns casos com documentação falsa.

Os casos citados envolvem investigações relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), ao Comando Vermelho (CV), a milícias, grupos de extermínio, facções regionais e quadrilhas suspeitas de ataques a bancos. A lista reúne episódios em todas as regiões do país, mas não representa necessariamente a totalidade dos casos, já que considera apenas ocorrências divulgadas pelas autoridades ou pela imprensa.

A série histórica registra quatro casos em 2016, um em 2017, quatro em 2018, dois em 2019, dois em 2020, seis em 2021, 13 em 2022, 19 em 2023, 19 em 2024, 17 em 2025 e cinco até o início de outubro de 2026.

Entre os episódios mencionados está o de Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Léo Bode, apontado por investigadores como uma liderança do Comando Vermelho no interior de São Paulo. Segundo documentos analisados na apuração, armas apreendidas em Rio Claro estavam registradas em nome dele; ele está foragido, conforme as informações divulgadas.

O levantamento também cita investigações sobre Levi Adriani Felício, apontado como integrante da cúpula do PCC e detentor de certificado de CAC no Paraguai; a Operação Ludibrio, em Minas Gerais; a Operação Downfall, no Espírito Santo; e a Operação Fake Shooter, na Paraíba. As referências são a investigações e acusações, e não significam, por si só, condenação definitiva.

Outro caso citado é o de Eduardo Bazzana, presidente do Clube Americanense de Tiro, preso em 2025 sob suspeita de fornecer armas, carregadores e munições ao Comando Vermelho no Rio de Janeiro. A defesa nega as acusações.

De acordo com o Instituto Sou da Paz, os casos públicos passaram de seis estados entre 2016 e 2019 para 20 estados entre 2023 e 2026. O consultor Bruno Langeani afirmou que também houve diversificação dos grupos envolvidos e aumento da gravidade dos materiais supostamente desviados.

As regras para CACs foram ampliadas entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, e parcialmente revistas a partir de 2023, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, com redução de limites de aquisição e retomada da classificação anterior de armas de calibres permitido e restrito. A fiscalização dos registros, antes atribuída principalmente ao Exército, passou para a Polícia Federal em 2025.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que apurava as informações. A Secretaria da Segurança Pública do Espírito Santo disse ter ampliado, desde 2019, as ações contra o comércio irregular de armas e citou a Operação Câmara Fria, realizada em outubro, que recuperou 118 armas. A Polícia Federal, o Exército e a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro não haviam apresentado manifestação completa até a publicação da reportagem.

Fonte: g1

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