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sábado, 24 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

Levantamento aponta 92 casos de CACs ligados ao crime organizado em dez anos

Levantamento do Sou da Paz aponta 92 casos de CACs envolvidos com organizações criminosas em 21 estados entre 2016 e outubro de 2026.

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Um levantamento do Instituto Sou da Paz identificou 92 casos de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) envolvidos com organizações criminosas no Brasil entre 2016 e outubro de 2026. Os registros foram distribuídos por 21 estados e incluem suspeitas de desvio de armas e munições, além da obtenção fraudulenta de registros para abastecer facções.

Segundo o estudo, os casos envolveram integrantes ou grupos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), ao Comando Vermelho (CV), a milícias, grupos de extermínio, facções regionais e quadrilhas especializadas em roubos a bancos. O levantamento foi elaborado com base em processos, boletins de ocorrência, inquéritos e reportagens.

São Paulo concentrou o maior número de registros, com 18 casos, seguido pelo Espírito Santo, com 11, e pelo Rio de Janeiro, com 10. Também foram identificadas ocorrências em estados de todas as regiões do país.

De acordo com o consultor sênior do Sou da Paz Bruno Langeani, os episódios apresentam dois padrões principais. Em um deles, pessoas com registro de CAC, ou recrutadas para obtê-lo, compram armas e munições legalmente e as repassam a criminosos; no outro, integrantes de organizações criminosas conseguem o registro em nome próprio, às vezes com documentos falsos.

A série histórica reúne quatro casos em 2016, um em 2017, quatro em 2018, dois em 2019, dois em 2020, seis em 2021, 13 em 2022, 19 em 2023, 19 em 2024, 17 em 2025 e cinco até o início de outubro de 2026.

Entre os episódios citados está o de Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Léo Bode, apontado por investigadores como liderança do Comando Vermelho no interior de São Paulo. Ele está foragido, e documentos analisados na apuração indicam que armas apreendidas em Rio Claro estavam registradas em seu nome.

O estudo também menciona Levi Adriani Felício, apontado como integrante da cúpula do PCC e detido no Paraguai em 2019; a Operação Ludibrio, que investigou em Minas Gerais um empresário suspeito de usar documentos falsos para obter registro de CAC; e a Operação Fake Shooter, na Paraíba, que apurou a atuação de integrantes da facção Okaida na compra de armas.

Outro caso citado é o de Eduardo Bazzana, presidente do Clube Americanense de Tiro, em Americana (SP). Preso em 2025 em uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro, ele é suspeito de fornecer armas, carregadores e munições ao Comando Vermelho. A defesa nega as acusações.

O Sou da Paz afirma que o número real de casos pode ser maior, porque o levantamento considerou apenas episódios que se tornaram públicos e nos quais as autoridades informaram a existência de vínculo com o sistema de CACs. Segundo o instituto, os registros passaram de seis estados entre 2016 e 2019 para 20 estados entre 2023 e 2026.

A fiscalização dos CACs era responsabilidade principal do Exército até 2025 e passou para a Polícia Federal. Investigações sobre tráfico, comércio ou fabricação ilegal de armas também podem envolver as polícias civis estaduais.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que apurava as informações. A Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo afirmou que ampliou, desde 2019, os mecanismos de investigação sobre comércio irregular de armas e citou a Operação Câmara Fria, realizada em outubro, que recuperou 118 armas. A Polícia Federal, o Exército e a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro não haviam apresentado posicionamento completo até a publicação da reportagem.

Fonte: g1

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