Tratores do Exército israelense demoliram em 23 de outubro a casa do empresário palestino Riyad Mureish, de 49 anos, em Hebron, na Cisjordânia ocupada. Segundo Mureish, soldados deram à família poucos minutos para retirar documentos e objetos de valor antes de ordenar a saída do imóvel.
“Eles demoliram tudo e me retiraram à força”, afirmou o empresário à NBC News. Mureish disse que investiu todas as suas economias na residência, que era alvo de uma disputa de longa duração com autoridades israelenses responsáveis por parte do controle das licenças de construção na região.
O empresário também afirmou que havia uma decisão judicial que deveria impedir a demolição, mas que os soldados não recuaram diante de seus apelos. Ele está abrigado com a mulher e os filhos em um pequeno cômodo na casa de um vizinho.
A demolição ocorreu no mesmo dia em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, esteve em outra área de Hebron e prometeu intensificar as operações na Cisjordânia. A declaração foi feita após um ataque a tiros que matou dois soldados israelenses e dois homens armados.
Netanyahu afirmou que as forças militares entrariam nos bairros de onde partiram os autores do ataque, evacuariam moradores e fariam buscas “casa por casa”. Segundo ele, o objetivo seria destruir a infraestrutura terrorista e construir infraestrutura para os assentamentos.
De acordo com Yousef al-Jabari, prefeito palestino de Hebron, as forças israelenses bloquearam as entradas da cidade, dificultando a circulação dos moradores. Ele também afirmou que uma mesquita foi fechada e que habitantes de algumas áreas foram retirados de suas casas.
A organização israelense de direitos humanos B'Tselem informou que cerca de 240 famílias palestinas foram forçadas a deixar suas casas nos bairros de Jildah e Ein Deir Bahah entre 23 e 24 de outubro. O grupo afirmou ainda que soldados ocuparam imóveis, hastearam bandeiras de Israel em alguns edifícios e continuaram realizando prisões e interrogatórios.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, disse que os bloqueios restringem severamente a liberdade de movimento dos palestinos e o acesso a serviços básicos e meios de subsistência. Mayy El Sheikh, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestino Ocupado, classificou as medidas como mais um episódio que torna a vida dos palestinos “cada vez mais insuportável”.
A NBC News informou que as autoridades israelenses não responderam ao pedido de posicionamento da emissora. As eleições israelenses estão marcadas para 27 de outubro.
Fonte: O Globo