Em outubro de 2026, a Ucrânia usa caças F-16 na defesa aérea do país para interceptar drones russos, em meio à escassez de mísseis interceptadores. Segundo autoridades e especialistas, o emprego contínuo da frota acelera o desgaste das aeronaves.
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que os F-16 estão entre as ferramentas mais eficazes para derrubar os veículos aéreos não tripulados que ameaçam cidades ucranianas. Os caças, fabricados pela americana Lockheed Martin, foram doados por Dinamarca, Holanda e Noruega.
A Ucrânia recebeu os primeiros aviões mais de um ano depois da autorização concedida pelos Estados Unidos, em 2023. Zelensky havia começado a solicitar as aeronaves em 2022, após o início da invasão em larga escala russa.
A frota ucraniana tem cerca de 50 F-16. De acordo com o site de monitoramento militar Oryx, cinco foram danificados ou destruídos em combate, incluindo um abatido com a morte do tenente-coronel Oleksiy Mes, piloto experiente da Força Aérea ucraniana.
No início de outubro, Zelensky disse que aproximadamente metade dos F-16 estava temporariamente fora de operação para manutenção em outros países europeus. A escassez de munição e o número limitado de pilotos treinados também restringem o uso dos caças.
Segundo o coronel Yurii Ihnat, porta-voz da Força Aérea da Ucrânia, os F-16 derrubaram uma parte significativa dos 1.900 drones a jato interceptados pelo país em setembro. A Rússia lançou 3.500 desses equipamentos no período, de acordo com o militar, que também relatou que um piloto derrubou dez drones em um único voo.
Até o fim de setembro, os F-16 haviam interceptado 666 mísseis de cruzeiro e cerca de 2.500 drones de diferentes tipos, segundo o tenente-general Anatolii Kryvonozhko, comandante da Força Aérea ucraniana. Em julho, um F-16 também derrubou um caça russo Su-35.
Os caças realizaram mais de 650 bombardeios contra alvos terrestres russos, mas são empregados principalmente na defesa aérea. Para David Deptula, tenente-general da reserva da Força Aérea dos Estados Unidos, a Ucrânia usa uma frota pequena como substituta de um sistema de defesa aérea em camadas, consumindo esse recurso mais rapidamente.
Os F-16 ucranianos não estão equipados para lançar os mísseis de longo alcance necessários para atingir instalações militares russas atrás da linha de frente. Essas missões são realizadas por caças Mirage, de fabricação francesa, e por aeronaves de origem soviética.
A Ucrânia pretende ampliar sua frota com 20 caças Gripen comprados da Suécia e outros 16 usados doados pelo país. A França também concordou em vender caças Rafale, mas a entrega está prevista para ocorrer apenas daqui a dois anos.
O país ainda negocia com a Lockheed Martin a compra de uma versão mais recente do F-16, que poderia operar mísseis de maior alcance mediante autorização do governo dos Estados Unidos. Enquanto isso, a Ucrânia busca desenvolver outros meios de interceptação para reduzir o uso dos caças contra drones.
Fonte: O Globo