A Ucrânia tem usado caças F-16 para interceptar drones a jato lançados pela Rússia, em meio à escassez de mísseis de defesa aérea e aos ataques frequentes contra cidades do país.
O presidente Volodymyr Zelensky classificou os F-16 como uma das ferramentas mais eficazes para derrubar os veículos aéreos não tripulados. A estratégia, porém, aumenta o desgaste de uma frota estimada em cerca de 50 aeronaves.
Segundo autoridades e especialistas, os caças têm voado com frequência elevada e podem apresentar falhas mecânicas. O site de monitoramento militar Oryx registra cinco F-16 danificados ou destruídos em combate, incluindo um abatido que matou o tenente-coronel ucraniano Oleksiy Mes.
No início de outubro, Zelensky afirmou que aproximadamente metade dos F-16 ucranianos estava temporariamente fora de operação para manutenção em outros países europeus.
Apesar das perdas, os aviões também obtiveram resultados expressivos. De acordo com o coronel Yurii Ihnat, porta-voz da Força Aérea da Ucrânia, os F-16 derrubaram parte dos 1.900 drones a jato interceptados no mês anterior, de um total de 3.500 lançados pela Rússia. Um piloto teria abatido dez desses drones em um único voo.
Até o fim de setembro, os F-16 haviam interceptado 666 mísseis de cruzeiro e cerca de 2.500 drones de diferentes tipos, segundo o tenente-general Anatolii Kryvonozhko, comandante da Força Aérea ucraniana. Em julho, um caça do modelo derrubou um avião russo Su-35, de acordo com as autoridades ucranianas.
Os F-16 também realizaram mais de 650 missões de bombardeio contra alvos terrestres russos, mas são empregados principalmente na defesa aérea. Para David Deptula, tenente-general da reserva da Força Aérea dos Estados Unidos, a Ucrânia está usando uma frota pequena como substituta de um sistema de defesa aérea em camadas, consumindo esse recurso mais rapidamente.
Os caças ucranianos não estão equipados para lançar os mísseis de longo alcance necessários para atingir instalações russas atrás da linha de frente. Essas missões são realizadas por caças Mirage, de fabricação francesa, e por aeronaves de origem soviética.
A Ucrânia negocia a ampliação da frota com a compra de 20 caças Gripen da Suécia, que também doará 16 aeronaves usadas do mesmo modelo. A França concordou em vender caças Rafale, com entregas previstas para daqui a pelo menos dois anos, enquanto Kiev negocia com a Lockheed Martin a compra de uma versão mais recente do F-16.
O treinamento de pilotos ucranianos ocorre, entre outros locais, na Base Aérea de Fetesti, na Romênia. Segundo Bill Thomas, coronel aposentado da Força Aérea dos Estados Unidos e responsável pelo programa, 19 pilotos se formaram no centro desde setembro de 2024.
Fonte: O Globo