O programador venezuelano Jorge Bastidas criou, em 24 de junho, poucas horas depois de dois terremotos atingirem a Venezuela, uma plataforma para reunir registros de pessoas desaparecidas e facilitar o contato entre familiares.
Bastidas, de 32 anos, estava em Bogotá, na Colômbia, quando soube dos tremores e não conseguiu falar com parentes e amigos na Venezuela. A plataforma foi desenvolvida com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e publicada cerca de quatro horas e meia após os terremotos.
Segundo os dados do portal, 82.610 registros foram recebidos ao longo de quase quatro meses. Após a retirada de duplicidades e a verificação por voluntários, 29.486 pessoas ainda apareciam como não contatadas.
Os números não são oficiais. De acordo com a reportagem, o governo venezuelano não divulgou uma lista nacional de desaparecidos nem criou um canal oficial para registrar esses casos. Outra plataforma independente, a Venezuela Reporta, estimava 41.357 pessoas não contatadas, enquanto o governador de La Guaira, José Alejandro Terán, informou em 4 de agosto a existência de 1.579 desaparecidos no estado.
O portal começou com um formulário que reunia nome, fotografia, local e data do último contato, além dos dados de quem fazia o registro. Com o aumento do acesso, Bastidas acrescentou filtros, moderação e mecanismos de denúncia para conter duplicidades, trotes, conteúdo impróprio e tentativas de alterar os dados.
Uma ferramenta de reconhecimento facial foi incorporada ao site com apoio do laboratório de inovação LAB-CO. Nas duas primeiras semanas, o recurso recebeu cerca de 19 mil acessos e também foi usado para comparar imagens e eliminar registros repetidos.
Voluntários ainda transcreveram listas manuscritas de pessoas atendidas em hospitais de Caracas e La Guaira. Segundo Daneli Hernández, colaboradora do projeto, foram reunidos mais de 3 mil registros provenientes de quase todas as unidades hospitalares dessas regiões.
Bastidas afirmou que pretende criar uma central de atendimento para confirmar os registros por telefone. A plataforma também sofreu ataques digitais nos primeiros dias, incluindo a alteração de milhares de registros, segundo o programador, que disse ter recuperado parte dos dados a partir de cópias de segurança.
Fonte: G1