A polícia do Chipre abriu uma investigação sobre as finanças do bilionário russo Roman Abramovich após uma reportagem da BBC e do Bureau of Investigative Journalism (TBIJ) apontar possíveis irregularidades em documentos contábeis usados para ocultar patrimônio e evitar o pagamento de impostos. A apuração foi anunciada em 23 de outubro de 2026 e deve durar vários meses.
As suspeitas envolvem ativos avaliados em US$ 672 milhões, o equivalente a cerca de R$ 3,4 bilhões, incluindo superiates, mansões e jatos particulares. O caso está sob responsabilidade da Unidade de Inteligência Financeira da polícia cipriota.
Segundo a reportagem, balanços contábeis aprovados pela Deloitte no Chipre, em 2006, fizeram com que bens ligados a empresas de Abramovich deixassem de aparecer nas contas. A publicação também afirmou que a empresa de contabilidade pode ter orientado um esquema para evitar uma cobrança tributária por meio da manipulação de documentos.
Andreas Anastasiades, representante da polícia do Chipre, disse que a Unidade de Crimes Financeiros já começou a reunir provas. À BBC, ele afirmou que a investigação analisará qualquer empresa ou pessoa que possa estar envolvida e verificará se houve fraude ou manipulação documental.
As suspeitas surgiram de arquivos vazados com milhares de documentos sobre as finanças de Abramovich e uma rede de empresas offshore administradas a partir do Chipre entre 1995 e 2022.
Os advogados do bilionário negam que ele tenha sonegado impostos ou ocultado patrimônio. A defesa disse que a reportagem não apresentou provas de que Abramovich soubesse da falsificação de documentos, tivesse autorizado a prática ou dado ordens nesse sentido.
Em declaração anterior à BBC, os representantes do empresário afirmaram que ele sempre recebeu aconselhamento tributário e jurídico independente e agiu de acordo com essas orientações. A Deloitte Chipre declarou que atua em conformidade com as leis aplicáveis e que não pode comentar o caso porque os documentos têm mais de 20 anos e não estão mais acessíveis.
BBC e TBIJ já haviam publicado uma reportagem sobre um esquema tributário que teria permitido a Abramovich evitar milhões de dólares em impostos relacionados à operação de seus iates. Depois da publicação, dois ex-diretores de empresas foram formalmente acusados no Chipre em um processo relacionado a € 25 milhões em impostos sobre valor agregado não pagos.
Fonte: O Globo