Claudine Melnik, apontada como a primeira mulher a comandar um Airbus A350 no mundo, e Juliana Alba, pioneira no comando de aeronaves cargueiras da Latam, relatam suas trajetórias e os desafios da presença feminina na aviação.
Aos 57 anos, Claudine acumula 33 anos de carreira e mais de 20 mil horas de voo. Atualmente baseada em Guarulhos, na Grande São Paulo, ela pilota os Boeing 777 e 787 em rotas internacionais para a América do Norte, a Europa e a África.
Claudine ingressou na TAM em 1992 como comissária e migrou posteriormente para a cabine de comando. Em 1995, tornou-se a primeira mulher comandante da companhia e, segundo a Latam, a primeira mulher a exercer o comando de uma linha aérea no Brasil.
A piloto também foi a primeira mulher a comandar um jato da empresa, em 2001, quando assumiu o Fokker 100. Em 2016, alcançou outro marco ao comandar um Airbus A350, depois de participar da formação de pilotos para aeronaves como o A330 e atuar como instrutora e avaliadora.
Juliana Alba, de 34 anos, seguiu carreira na aviação cargueira influenciada pelo pai, comandante da Latam Cargo. Após estudar Comércio Exterior e Administração, obteve as licenças de piloto, tornou-se instrutora de voo e ingressou diretamente na operação de cargas da companhia.
Entre as experiências profissionais de Juliana está um voo dedicado exclusivamente ao transporte de cavalos. Ela também destaca que operações com medicamentos, frutas e outras cargas que exigem controle de temperatura demandam planejamento específico, assim como voos para aeroportos com condições geográficas ou operacionais complexas.
As duas comandantes afirmam que a profissão exige preparo técnico, responsabilidade, comunicação e capacidade de decisão. Claudine também relata as dificuldades de conciliar a carreira internacional com a maternidade e observa que a autocobrança pode tornar a trajetória profissional mais difícil para mulheres.
Segundo os dados divulgados pela Latam, a companhia tinha 94 pilotas entre 2.287 tripulantes técnicos, o equivalente a 4,1%. O percentual é ligeiramente superior à média global de 4% atribuída à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
As histórias foram apresentadas no Dia do Aviador, celebrado em 23 de outubro, como exemplos de diferentes caminhos profissionais em um setor historicamente marcado pela predominância masculina.
Fonte: g1