O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou nesta sexta-feira (23) o fechamento total da Cisjordânia após um ataque a tiros que deixou cinco israelenses feridos, dois deles em estado grave, em Hebron. Os dois atiradores foram mortos durante uma troca de tiros com militares.
Segundo o Exército israelense, os homens abriram fogo contra um grupo de militares em um posto de controle ao norte de Hebron, no sul da Cisjordânia. Um deles usava um fuzil e o outro, uma pistola.
Netanyahu determinou o fechamento imediato de Hebron e pediu que as Forças Armadas se preparem para ampliar a medida a toda a Cisjordânia. O Likud, partido do primeiro-ministro, cancelou eventos previstos para esta sexta-feira.
Em comunicado, o gabinete de Netanyahu afirmou que as forças de segurança impediram um ataque de maior proporção. O Exército informou que localizou o veículo usado pelos atiradores com grande quantidade de munição, o que, segundo a corporação, indicaria a intenção de realizar uma ação mais ampla.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, tenente-general Eyal Zamir, classificou o episódio como um ataque terrorista grave e disse que a reação dos militares evitou mais danos a civis e integrantes das forças de segurança.
O ataque ocorreu quatro dias antes das eleições legislativas israelenses, marcadas para terça-feira. O Hamas não reivindicou a ação, mas classificou o episódio como uma operação heroica.
O Exército israelense anunciou operações nas casas dos supostos agressores e de outros suspeitos, além de ações no local do ataque e em outras áreas da Cisjordânia.
Ministros de extrema direita da coalizão governista defenderam a continuidade das operações militares. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmou ter ordenado a demolição de prédios próximos ao local, que chamou de construções árabes ilegais. Já o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, defendeu o desmantelamento e a desmilitarização da Autoridade Palestina.
A região de Hebron é dividida entre áreas administradas pelas autoridades palestinas e setores sob controle das Forças Armadas israelenses, onde vivem colonos israelenses. Segundo a ONU, ao menos 96 palestinos foram mortos por forças israelenses ou colonos na Cisjordânia desde o início do ano; no mesmo período, quatro israelenses foram mortos por palestinos na região.
Fonte: O Globo