Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 23 de outubro, autorizações para a quebra de sigilos próprios, de familiares e de empresas relacionadas às suas campanhas. Até o momento, porém, os dados bancários, fiscais e telefônicos não foram divulgados.
As autorizações foram apresentadas pelas equipes jurídicas dos dois candidatos após um acordo para que ambos entregassem informações sobre seus patrimônios e relações empresariais. O ministro André Mendonça, do TSE, afirmou que a Corte não deve divulgar os dados e que os candidatos podem fazê-lo por meios próprios.
No caso de Flávio, a autorização inclui contas bancárias no Brasil e no exterior e a empresa Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. A defesa também citou empresas brasileiras ligadas ao senador e pediu informações sobre pessoas e empresas relacionadas à família de Lula.
A advogada da campanha de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri, afirmou que os documentos da candidatura serão entregues após a análise do material apresentado pela equipe petista. Segundo ela, os documentos já estão reunidos e a campanha pretende cumprir todas as condições estabelecidas no acordo.
O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que acompanhou a entrega dos documentos no TSE, disse que a campanha de Flávio cumpriria os compromissos até a meia-noite. Ele também acusou a equipe de Lula de não ter apresentado todos os registros que esperava examinar.
O coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana (PT-CE), protocolou documento no TSE em que a candidatura aceita as exigências apresentadas por Flávio. A equipe petista defendeu que as autorizações fossem formalizadas e que todos os sigilos fossem levantados.
A disputa começou após Lula desafiar Flávio, durante debate da Band, a abrir os sigilos bancário e telefônico de ambos e de seus familiares. Flávio apresentou 19 exigências, incluindo dados sobre empresas ligadas aos filhos de Lula, agendas e encontros com autoridades, despesas do cartão corporativo da Presidência e informações relacionadas ao Banco Master e ao caso do INSS.
O documento assinado pelas campanhas não estabelece o período de abrangência das informações. A equipe de Lula havia proposto os últimos oito anos, enquanto a defesa de Flávio pediu que os dados alcançassem 20 anos.
Fonte: O Globo