Ir para o conteúdo

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

ECONOMIA

Kalshi prepara futuros de inflação para disputar mercado nos EUA

Kalshi planeja lançar futuros vinculados à inflação dos EUA para atrair bancos e fundos de hedge e disputar espaço com bolsas tradicionais.

Compartilhe
WhatsApp

A Kalshi planeja lançar em dezembro contratos futuros vinculados ao índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) e à inflação subjacente, em uma tentativa de atrair bancos e fundos de hedge para sua plataforma de mercados de previsão.

Sediada em Nova York, a empresa pretende oferecer contratos com vencimento definido e negociação em bolsa. O produto seria diretamente ligado ao CPI, algo que atualmente não é oferecido pelas principais bolsas americanas de derivativos.

A Kalshi confirmou que trabalha nos contratos, mas não informou detalhes sobre o lançamento. Segundo documentos apresentados a potenciais clientes e analisados pela Bloomberg, os contratos cobririam os 12 meses seguintes e, depois, maio e novembro de cada um dos quatro anos posteriores.

As negociações ocorreriam 24 horas por dia, de domingo a sexta-feira, com a Kalshi Klear LLC responsável pela compensação. A empresa contratou Michael Ashton, ex-operador do Barclays conhecido como “Inflation Guy”, para desenvolver o produto e conversar com investidores institucionais.

A plataforma já oferece contratos binários que permitem apostar se o CPI ficará acima ou abaixo de determinado nível mensal. Esses produtos têm atraído principalmente investidores de varejo, enquanto os novos futuros buscariam atender à demanda de operadores profissionais por uma variedade maior de resultados.

A empresa também expandiu sua atuação para contratos perpétuos ligados a criptoativos e commodities. Esses instrumentos não têm data de vencimento e, segundo críticos, são mais difíceis de integrar à infraestrutura tradicional de Wall Street.

O presidente-executivo da CME, Terry Duffy, criticou os contratos perpétuos e afirmou que investidores institucionais têm pouco interesse em produtos sem vencimento. Os futuros de CPI permitiriam à Kalshi responder a essa crítica e competir em um segmento atualmente concentrado em títulos protegidos contra a inflação e swaps negociados no mercado de balcão.

A expansão ocorre em meio a disputas regulatórias. O estado de Nova York processou a subsidiária de negociação da Kalshi em julho, acusando a empresa de operar apostas sem licença, enquanto um juiz federal suspendeu temporariamente a aplicação de uma lei de Minnesota que proibia mercados de previsão.

A Kalshi foi cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara e tem como principal concorrente a Polymarket. A plataforma permite negociar contratos relacionados a eleições, decisões econômicas, inflação, esportes e acontecimentos geopolíticos.

Fonte: O Globo

Leia também