A Kalshi, plataforma de mercados preditivos com sede em Nova York, planeja lançar em dezembro contratos futuros vinculados à inflação dos Estados Unidos e busca apoio de bancos e fundos de hedge para ampliar sua atuação em Wall Street.
Os contratos serão atrelados ao índice de preços ao consumidor (CPI) e ao indicador de inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, segundo pessoas familiarizadas com o projeto. Um porta-voz da empresa confirmou o desenvolvimento, mas não informou detalhes sobre o lançamento.
A Kalshi contratou Michael Ashton, ex-operador do Barclays conhecido como “Inflation Guy”, para estruturar os produtos e apresentar a proposta a investidores institucionais. Ashton afirmou que a empresa pretende criar uma bolsa voltada à negociação de instrumentos ligados à inflação.
Os futuros terão vencimento definido e seriam negociados 24 horas por dia, de domingo a sexta-feira. Documentos apresentados a potenciais clientes indicam disponibilidade para os 12 meses seguintes e, depois, para maio e novembro dos quatro anos posteriores.
Atualmente, os investidores negociam a inflação principalmente por meio de títulos do Tesouro americano protegidos contra a inflação, conhecidos como TIPS, e de swaps negociados no mercado de balcão. Segundo Mark Spindel, diretor de investimentos da Potomac River Capital, uma bolsa de futuros poderia ampliar o número de participantes e facilitar operações de proteção contra riscos.
A Kalshi já oferece contratos binários que permitem apostar se o CPI ficará acima ou abaixo de determinado nível mensal. Esses produtos atraem principalmente investidores de varejo, enquanto os novos futuros buscam atender à demanda de instituições por uma faixa mais ampla de resultados e vencimentos.
A empresa também expandiu sua atuação para contratos perpétuos ligados a criptoativos e commodities. Esses instrumentos não têm data de vencimento e enfrentam resistência de participantes tradicionais, incluindo Terry Duffy, presidente-executivo da CME, que questiona sua utilidade para a gestão de riscos.
O projeto ocorre em meio à disputa da Kalshi com bolsas tradicionais e a desafios regulatórios. A empresa enfrenta processos nos Estados Unidos relacionados à oferta de contratos de eventos esportivos e mantém pedidos na Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) para lançar produtos vinculados ao petróleo e a títulos do Tesouro.
A Kalshi foi cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara, que também é citada pela Forbes como a mulher mais jovem a construir a própria fortuna bilionária. A principal concorrente da plataforma é a Polymarket, outra empresa de mercados preditivos.
Fonte: O Globo