Moradores do condado de Loudoun, na Virgínia, nos Estados Unidos, relatam ruído constante, fumaça e preocupação com a qualidade do ar após a expansão de data centers na região, mostrou reportagem do Fantástico exibida neste domingo (23).
Loudoun concentra mais de 200 instalações e é considerada uma das principais áreas de data centers do mundo. Segundo a reportagem, novos empreendimentos são construídos na região há 16 anos, aproximando estruturas de processamento de dados de bairros residenciais.
Um dos complexos instalados perto das casas produz a própria energia com oito turbinas movidas a gás natural e geradores a diesel para situações de emergência. Moradores afirmam que o equipamento mantém um zumbido permanente e relatam fumaça escura e cheiro de diesel quando os geradores entram em operação.
Uma residente disse à reportagem que precisou deixar a própria casa depois que os geradores funcionaram por 24 horas. As famílias também demonstraram preocupação com possíveis efeitos da poluição sobre a saúde e com a perda de áreas verdes.
O programa citou um estudo de um pesquisador de Harvard segundo o qual a poluição emitida por um dos data centers da região pode gerar custos de até US$ 99 milhões por ano relacionados a internações e mortes prematuras. O valor é uma estimativa associada aos impactos calculados no estudo, e não uma cobrança oficial aos moradores ou à empresa.
A expansão dos empreendimentos também aumenta a demanda por eletricidade e pode exigir novas linhas de transmissão de alta tensão na Virgínia. Moradores contestam parte desses projetos; uma residente citada na reportagem trava uma disputa judicial contra a companhia elétrica local por causa da instalação prevista de uma torre a menos de 15 metros de sua casa.
No Brasil, o debate ganhou espaço após a aprovação do programa Redata, que oferece incentivos fiscais para atrair data centers. As regras preveem o uso de energia renovável ou de baixa emissão e medidas para reduzir o consumo de água, mas temas como distância de áreas residenciais, ruído e emissões atmosféricas ainda dependem de regulamentação.
Fonte: g1