Claudine Melnik, primeira mulher no mundo a comandar um Airbus A350, e Juliana Alba, pioneira no comando de aeronaves cargueiras da Latam, relatam suas trajetórias e os desafios da aviação no Dia do Aviador, celebrado nesta sexta-feira (23).
Aos 57 anos, Claudine soma 33 anos de carreira e mais de 20 mil horas de voo. Atualmente baseada em Guarulhos, na Grande São Paulo, ela pilota os modelos Boeing 777 e 787 em rotas internacionais para a América do Norte, Europa e África.
Claudine começou a se preparar para a profissão ainda jovem, com aulas teóricas em um aeroclube de Curitiba e treinamento prático em Juiz de Fora. Em dezembro de 1992, ingressou na TAM como comissária e depois migrou para a carreira de piloto.
Em 1995, tornou-se a primeira mulher comandante da companhia e do Brasil. Em 2001, assumiu o comando de um jato da empresa, o Fokker 100, e, em 2016, alcançou o marco de ser a primeira mulher no mundo a comandar um Airbus A350.
Ao longo da carreira, a comandante também atuou como instrutora e avaliadora de aeronaves da família Airbus. Para ela, embora a tecnologia tenha transformado a operação dos voos, comunicação, experiência e capacidade de decisão continuam essenciais para a segurança.
Juliana Alba, de 34 anos, cresceu acompanhando o trabalho do pai, Arnaldo Alba, comandante da Latam Cargo. Depois de estudar e trabalhar nas áreas de Comércio Exterior e Administração, obteve as licenças de piloto, tornou-se instrutora e ingressou diretamente na operação cargueira.
Juliana foi a primeira mulher, em 15 anos, a assumir o comando de uma aeronave de carga da companhia. Entre as operações mais marcantes de sua carreira está um voo dedicado ao transporte de cavalos, atividade que exigiu cuidados específicos para garantir a segurança dos animais.
A aviação cargueira também envolve operações com medicamentos, frutas e outros produtos que podem exigir controle de temperatura. Voos para aeroportos com características geográficas ou operacionais complexas demandam planejamento e treinamento adicionais.
As duas trajetórias refletem a presença ainda reduzida de mulheres na cabine de comando. Segundo os dados divulgados pela Latam, a empresa tinha 94 pilotas, equivalentes a 4,1% dos 2.287 tripulantes técnicos. O índice está próximo da média global de 4% atribuída à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
Fonte: g1