A Polícia Civil do Rio de Janeiro já abriu 32 inquéritos para investigar procedimentos realizados em duas clínicas de estética do Grupo Celita Toledo, em Laranjeiras, na Zona Sul, informou a corporação nesta quarta-feira (21). No mesmo dia, outras três mulheres procuraram a delegacia após uma operação que interditou três salas cirúrgicas das unidades.
A Delegacia Especial de Crimes contra o Consumidor apura a morte de três pacientes e relatos de mulheres que teriam ficado com sequelas e cicatrizes permanentes após cirurgias. Segundo a polícia, três prontuários de pacientes ainda não foram localizados.
As clínicas Ênio Serra e Laranjeiras Plastic Day funcionam no mesmo endereço. Durante a operação, os agentes encontraram medicamentos vencidos e prenderam em flagrante a enfermeira responsável pelo centro cirúrgico, Evani Ferreira do Nascimento, e a diretora administrativa e responsável pelo almoxarifado, Carla dos Santos Alves.
As duas funcionárias foram liberadas após o pagamento de fiança de R$ 3 mil cada. À tarde, pacientes realizaram um protesto em frente à clínica.
Havia 15 cirurgias plásticas previstas para quarta-feira, mas os procedimentos foram suspensos após a interdição. O delegado Wellington Vieira orientou os pacientes que já haviam pago pelas operações a procurar o setor administrativo para solicitar o ressarcimento.
A investigação também apura se médicos sem especialização em cirurgia plástica participavam dos procedimentos. De acordo com o delegado, em um dos casos que terminaram com a morte de uma paciente, o anestesista seria um médico residente que atuava sem supervisão, situação que a polícia considera irregular.
As mortes investigadas são as de Isabely dos Santos Viana, de 42 anos, que morreu após três paradas cardíacas durante uma cirurgia; Jéssica Conceição da Cruz, de 32, que ficou dois meses internada e morreu após uma infecção generalizada; e Sandra Coutinho Caldas, de 59, que também morreu em decorrência de uma infecção generalizada.
As unidades são investigadas há cerca de seis meses e já haviam sido fiscalizadas pelo Conselho Regional de Medicina e pela Vigilância Sanitária. Em agosto, um sócio e um médico peruano sem registro profissional chegaram a ser detidos em uma operação da Delegacia do Consumidor, mas foram liberados após prestar depoimento.
Em nota, o Grupo Celita Toledo afirmou que acompanha as apurações com seriedade, colabora com as autoridades e disponibilizou documentos solicitados. O grupo também declarou que não se deve antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades antes do fim das investigações.
Fonte: G1