Ir para o conteúdo

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

ECONOMIA

Meta eleva investimentos e anuncia ações sem direito a voto

Meta eleva a previsão de investimentos de capital para 2026 e anuncia ações sem direito a voto para financiar sua expansão em inteligência artificial.

Compartilhe
WhatsApp

A Meta Platforms elevou para entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões a previsão de investimentos de capital em 2026 e anunciou a criação de uma classe de ações sem direito a voto. As medidas foram divulgadas no balanço trimestral da companhia nesta quarta-feira (21).

O piso da estimativa subiu em relação aos US$ 130 bilhões previstos anteriormente. A empresa informou que distribuirá os novos papéis aos atuais investidores por meio de um dividendo em ações, em uma operação equivalente, na prática, a um desdobramento na proporção de dois para um.

A Meta espera que as negociações da nova classe comecem em janeiro. As ações poderão ser usadas para captar recursos, remunerar funcionários e viabilizar possíveis aquisições.

Segundo a companhia, os papéis sem direito a voto também ajudarão a manter Mark Zuckerberg no comando da empresa na próxima fase de sua expansão. O presidente-executivo afirmou que os investimentos em inteligência artificial estão dando resultado.

A receita do terceiro trimestre cresceu 26% e chegou a US$ 64,6 bilhões, acima da previsão de US$ 63,3 bilhões. O lucro por ação foi de US$ 3,83, ante estimativa de US$ 3,57, enquanto o lucro total alcançou US$ 9,86 bilhões, mais de três vezes e meia o registrado entre julho e setembro de 2025.

Para o quarto trimestre, a Meta projetou receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões. A média das estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg era de US$ 73,6 bilhões.

Zuckerberg disse que o negócio principal da empresa permanece forte e citou o desempenho do agente de inteligência artificial Muse. De acordo com a Meta, o serviço foi usado por mais de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá nas seis primeiras semanas.

Lançado em setembro, o Muse foi desenvolvido para automatizar tarefas como compras, aquisição de ingressos e agendamento de compromissos. A Meta informou que o serviço exige grande capacidade computacional e ainda não foi lançado globalmente.

A companhia pretende manter o Muse gratuito para a maioria dos usuários e obter receita com taxas sobre transações, assinaturas e ferramentas voltadas a empresas. Zuckerberg também afirmou que o agente poderá se tornar lucrativo caso a eficiência computacional continue avançando.

No início de outubro, a Meta lançou o modelo Muse Wonder, que, segundo a empresa, tem desempenho comparável ao de sistemas como ChatGPT, da OpenAI, e Claude, da Anthropic, em programação e análise de questões financeiras e jurídicas. A companhia também reorganizou sua divisão de inteligência artificial sob a liderança de Alexandr Wang.

A Meta informou ainda que CJ Desai comandará uma nova plataforma empresarial para oferecer acesso a modelos e serviços de inteligência artificial. A diretora financeira, Susan Li, disse que alguns desses investimentos levarão mais tempo para gerar retorno, embora a empresa confie no potencial de monetização e nos ganhos de eficiência.

Enquanto amplia os gastos com IA, a companhia reduz custos em outras áreas. O número de funcionários caiu 15% em um ano, e a Meta prevê perdas de até US$ 19 bilhões em 2026 na Reality Labs, divisão responsável por hardware. Para 2027, a estimativa é de prejuízo de cerca de US$ 15 bilhões.

As ações da Meta subiram mais de 3% nas negociações após o fechamento do mercado na quarta-feira. Até o encerramento do pregão em Nova York, acumulavam alta de cerca de 6% no ano.

Fonte: O Globo

Leia também