Pablo Marçal não participou, nesta quinta-feira (22), do treinamento de Flávio Bolsonaro para o debate com Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. A ausência ocorreu no QG da campanha, no Lago Sul, em Brasília, e foi recebida com alívio por integrantes da equipe.
Marçal havia participado da preparação de Flávio para o debate da Band, o que provocou desconforto entre aliados e integrantes da comunicação. A presença do influenciador reacendeu o histórico de atritos com o marqueteiro Duda Lima, responsável pela estratégia do senador.
Em setembro de 2024, durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo, Duda Lima, que trabalhava para Ricardo Nunes (MDB), foi atingido por um soco de Nahuel Medina, integrante da equipe de Marçal, após um debate promovido pelo Grupo Flow. O episódio gerou uma crise entre as campanhas.
Na preparação para o debate da Globo, Flávio contou com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Duda Lima. A orientação da equipe é reduzir as provocações ao adversário e ampliar a apresentação de propostas.
Aliados divergiram sobre o papel de Marçal na campanha. Enquanto parte do grupo defendia o uso de sua capacidade de mobilização digital e de seu estilo agressivo, outros avaliavam que a presença dele poderia gerar ruídos internos e prejudicar a imagem que Flávio tenta construir no segundo turno.
Integrantes da cúpula eleitoral também passaram a defender distância do influenciador por causa de sua tentativa de assumir protagonismo em agendas do candidato, de sua rejeição entre eleitores e de declarações consideradas prejudiciais à busca por novos apoios. Um dos episódios citados foi um encontro com cantores sertanejos realizado nesta semana, em Goiás.
Marçal também provocou incômodo ao afirmar, em entrevista ao podcast IronTalks TV, que eleitores de Renan Santos, candidato do Missão que declarou neutralidade no segundo turno, poderiam anular o voto. Além disso, o influenciador tem se apresentado como possível integrante de um eventual governo Flávio, embora aliados afirmem que não há decisão sobre o assunto.
Fonte: O Globo