O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou nesta quinta-feira (22) o que classificou como "atos sediciosos" da extrema esquerda e afirmou que o governo pretende autorizar apenas manifestações convocadas por organizações sindicais.
A declaração ocorreu após uma reunião do conselho de segurança francês, dias depois de protestos em grandes cidades do país combinarem manifestações pacíficas com saques, depredações e episódios de violência. Novos atos foram convocados para sábado (24) por diferentes grupos.
Segundo Macron, grupos organizados de extrema esquerda teriam realizado ações políticas com o objetivo de "derrubar a República". O presidente afirmou ainda que esses grupos reivindicam atos marcados por violência intensa.
Macron reconheceu falhas na resposta das autoridades aos protestos do último sábado e disse que o governo precisa aprender com a experiência. Ele também informou que as autoridades poderão proibir aglomerações e que o sistema judiciário está mobilizado para lidar com os casos.
O presidente afirmou que manifestações organizadas por sindicatos serão analisadas conforme as leis francesas e autorizadas quando houver condições de segurança. Atos sem participação sindical, segundo ele, serão proibidos sempre que possível.
O governo tenta separar as manifestações consideradas legítimas dos episódios de vandalismo. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu deve receber líderes estudantis na próxima semana para discutir demandas relacionadas à educação, enquanto sindicatos afirmam que também são debatidas propostas como o reajuste do salário mínimo.
O governo francês atribui parte da violência a grupos de ultraesquerda, incluindo antifascistas, anarquistas e anarcoautônomos, além de pessoas que teriam se infiltrado nos protestos para cometer crimes. Essas acusações foram baseadas, segundo autoridades, em informações dos serviços de inteligência.
Fonte: O Globo