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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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Finlândia interrompe obras do Google após desmatamento sem avaliação ambiental

Autoridades finlandesas suspendem obras de centros de dados do Google após desmatamento sem avaliações ambientais exigidas.

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Autoridades finlandesas determinaram em outubro a suspensão temporária das obras de dois centros de dados do Google nas regiões de Muhos e Otanmäki, no norte do país, após a empresa derrubar árvores sem realizar as avaliações de impacto ambiental exigidas.

Os terrenos fazem parte de um projeto de infraestrutura de inteligência artificial estimado em € 13 bilhões. O investimento é o maior já anunciado pelo Google na Finlândia, que se tornou um dos principais destinos da expansão global de centros de dados.

Em Muhos, uma área de 330 hectares foi amplamente desmatada nos últimos meses. Estimativas citadas pelo jornal britânico The Guardian apontam que cerca de 250 mil árvores estavam no local antes da derrubada, enquanto outras 150 mil teriam sido removidas em Otanmäki.

A Autoridade Finlandesa de Licenciamento e Supervisão (LVV) ordenou a interrupção dos trabalhos depois de considerar que as avaliações ambientais necessárias não haviam sido feitas. Moradores relataram que a água barrenta do terreno alcançou um riacho ligado ao rio Oulujoki.

O diretor do Google na Finlândia, Antti Järvinen, pediu desculpas e afirmou que a companhia agiu com base no melhor entendimento que tinha naquele momento. Segundo a empresa, os trabalhos preparatórios foram interrompidos em 6 de outubro, após notificações da LVV.

O caso provocou reação pública no país. Mais de 93 mil pessoas assinaram uma petição que pede regras mais rígidas para a instalação de centros de dados e uma taxa para compensar comunidades por danos ambientais.

O primeiro-ministro Petteri Orpo classificou o episódio em Muhos como um “banho de água fria”. Ambientalistas também questionam se os ganhos econômicos dos projetos compensam os impactos ambientais, o possível efeito sobre os preços da energia e o uso de fontes renováveis por multinacionais.

A Finlândia tem 145 novos centros de dados em diferentes fases de planejamento. O clima frio, a disponibilidade de terras e a estabilidade geopolítica e geológica estão entre os fatores que atraem empresas de tecnologia, enquanto o governo busca investimentos para estimular a economia.

Moradores de Muhos e Otanmäki relataram mudanças na fauna e na qualidade da água após a derrubada das árvores. A Associação Finlandesa para a Conservação da Natureza afirmou que espécies como lobos e pica-paus-de-três-dedos deixaram a área, enquanto comunidades locais também demonstraram preocupação com o barulho das obras.

O Ministério do Meio Ambiente informou que acompanha o setor e poderá propor mudanças na legislação. O Google afirmou que pretende proteger a qualidade da água em Muhos e plantar árvores em uma área de 130 hectares, além de dizer que cumprirá as determinações das autoridades e manterá diálogo com órgãos públicos e organizações locais.

Fonte: O Globo

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