O copresidente do Conselho de Supervisão de Conteúdo da Meta, Paolo G. Carozza, reforçou na quarta-feira, 21 de outubro, a necessidade de a empresa adotar medidas para proteger a liberdade de expressão e a integridade eleitoral no Brasil. A declaração ocorreu durante uma apresentação promovida pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio).
Carozza afirmou que o conselho não conduz uma investigação independente sobre as denúncias recentes envolvendo conteúdos relacionados aos candidatos à Presidência Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, o órgão não está avaliando se os episódios ocorreram, quais foram suas causas ou qual impacto tiveram, mas considera que há acusações graves.
Entre as recomendações já feitas à Meta estão a criação de protocolos específicos para períodos eleitorais, o desenvolvimento de métricas transparentes para medir erros na moderação e a ampliação do acesso de pesquisadores independentes aos dados das plataformas.
O representante também defendeu a participação de revisores humanos em situações nas quais os sistemas automatizados não sejam suficientes para produzir decisões confiáveis. De acordo com Carozza, a Meta reconheceu ao menos parte dos episódios recentes como erros próprios, atribuídos a falhas técnicas e problemas não intencionais.
Carozza disse que os casos atuais se assemelham a problemas identificados pelo conselho em decisões anteriores, incluindo a permanência de conteúdos que poderiam comprometer a integridade eleitoral e a remoção de publicações politicamente legítimas.
O conselho não tem poder para alterar diretamente os algoritmos de recomendação nem para determinar a redução da distribuição de uma publicação específica. A limitação é relevante diante das denúncias de que conteúdos políticos estariam recebendo menos visualizações ou interações sem serem removidos.
Segundo Carozza, a falta de informações sobre quando e para quem as publicações são recomendadas dificulta a avaliação da imparcialidade dos sistemas. Ele também criticou a redução da qualidade das ferramentas disponíveis para pesquisadores, citando o encerramento do CrowdTangle e as limitações da biblioteca de conteúdo da Meta.
O copresidente afirmou ainda que o uso de inteligência artificial na moderação pode tornar as decisões menos transparentes, já que nem sempre é possível compreender como os sistemas chegam a determinadas conclusões. Ele não soube dizer se o conselho abrirá uma análise específica sobre os episódios das eleições brasileiras, o que dependerá dos casos encaminhados ao órgão.
Fonte: O Globo