O copresidente do Conselho de Supervisão de Conteúdo da Meta, Paolo G. Carozza, afirmou em evento do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio) que as denúncias de falhas da empresa durante a campanha presidencial brasileira reforçam a necessidade de cumprir recomendações para proteger a liberdade de expressão e a integridade eleitoral.
Carozza disse que o conselho não abriu uma investigação independente sobre os episódios envolvendo conteúdos relacionados aos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, o órgão apenas reconhece a existência de acusações graves, sem avaliar se os fatos ocorreram, suas causas ou seus impactos.
Entre as recomendações apresentadas estão a criação de protocolos específicos para períodos eleitorais, o desenvolvimento de métricas transparentes para medir erros na moderação, a ampliação do acesso de pesquisadores independentes aos dados das plataformas e a participação de revisores humanos quando os sistemas automatizados não forem suficientes.
De acordo com Carozza, a Meta reconheceu ao menos parte dos episódios como erros próprios, atribuídos a falhas técnicas e problemas não intencionais. Ele afirmou que as denúncias são semelhantes a casos anteriores analisados pelo conselho, envolvendo tanto a permanência de conteúdos que poderiam prejudicar a integridade eleitoral quanto a remoção de manifestações políticas legítimas.
O copresidente afirmou que não sabe se haverá uma investigação específica sobre os acontecimentos relacionados às eleições brasileiras. A possibilidade dependerá dos casos encaminhados ao conselho, que não tem competência para analisar parte das reclamações envolvendo publicidade política.
Carozza também criticou a redução do acesso a dados sobre as plataformas. Ele citou o encerramento do CrowdTangle, ferramenta gratuita de monitoramento de conteúdo público descontinuada pela Meta, e avaliou que a biblioteca de conteúdo da empresa oferece recursos insuficientes para pesquisadores.
Segundo o professor, o uso de inteligência artificial na moderação pode tornar as decisões menos transparentes. Ele também afirmou que o conselho não pode alterar diretamente os algoritmos de recomendação nem determinar a redução da distribuição de uma publicação específica, embora tente tratar do tema de forma indireta em algumas decisões.
Fonte: O Globo