Reportagem exibida pelo Fantástico nesta quinta-feira (22) mostrou como o uso constante de celulares e redes sociais tem reconfigurado a relação entre adolescentes, pais e amigos, além de ampliar desafios ligados à convivência, à autoestima e ao diálogo dentro de casa.
Especialistas ouvidos pela série “Essa Tal de Adolescência” relacionaram a dificuldade atual ao ambiente digital em que essa geração cresceu e aos impactos da pandemia, que interrompeu experiências sociais importantes durante a adolescência de muitos jovens.
Em um projeto social do Recife, os celulares são desligados durante as atividades. A proposta é estimular encontros presenciais e fortalecer vínculos entre os participantes. Jemerson, de 12 anos, relatou que deixou de ser tímido depois que começou a frequentar o espaço.
Para algumas famílias, porém, o celular também representa uma forma de proteção diante da violência nas comunidades. Uma mãe entrevistada afirmou que prefere manter o filho em casa, mas reconheceu que ele passa entre seis e sete horas por dia usando o aparelho.
A distância entre pais e filhos também foi retratada em um curta-metragem produzido por estudantes de uma escola do Rio de Janeiro. O filme aborda a dificuldade de comunicação entre uma mãe e sua filha adolescente, tema que, segundo as autoras, surgiu de experiências vividas pelos próprios jovens.
As redes sociais aparecem ainda como fator de pressão sobre a aparência e a aceitação. Adolescentes entrevistadas relataram comparação com amigas, uso de filtros e receio de publicar fotos sem maquiagem. Especialistas alertaram que essa exposição pode afetar a autoestima e estar associada a problemas de imagem corporal e saúde mental.
Para Carolina Delboni, educadora e psicanalista ouvida pela reportagem, a busca por aprovação ganhou uma dimensão maior com a multiplicação dos espaços de convivência nas redes. A série também destacou que a escuta, o acolhimento e a criação de momentos de conversa continuam sendo estratégias defendidas por especialistas para aproximar pais e filhos.
Fonte: g1