A Otan decidiu enviar recursos adicionais ao Mar Negro após uma sequência de ataques contra navios comerciais nas proximidades da Bulgária e da Romênia, países membros da aliança militar, nas últimas duas semanas.
Segundo a porta-voz da organização, Alisson Hart, o reforço inclui apoio à vigilância, ao reconhecimento e à perícia, com aeronaves de patrulha, sistemas de radar, drones e ferramentas de inteligência.
Ao menos sete navios foram afundados na região recentemente, deixando quase 30 tripulantes mortos ou desaparecidos, de acordo com as informações divulgadas. Na terça-feira da semana anterior, um ataque contra uma embarcação na costa búlgara deixou 11 tripulantes desaparecidos.
Dias depois, duas embarcações que transportavam produtos químicos foram atingidas por drones na Romênia, perto de um canal que liga o Mar Negro ao rio Danúbio e também é utilizado pelos ucranianos. Ninguém assumiu a autoria dos ataques.
Analistas e comandantes militares citados na reportagem atribuíram os ataques à Rússia e avaliaram que as ações poderiam testar a disposição da Otan de responder coletivamente a ameaças. A Rússia nega as acusações.
A porta-voz Alisson Hart afirmou que a aliança continuará unida e preparada para enfrentar ameaças e proteger sua população. O Mar Negro é uma rota essencial para o escoamento da produção dos países da região e tem sido afetado pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
Autoridades europeias também apontam riscos de uma chamada guerra híbrida, com ataques e incursões localizadas. O ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, afirmou em setembro que a Europa enfrentaria um inverno sombrio e acusou a Rússia de manter ações desse tipo há décadas.
O chanceler russo, Sergei Lavrov, declarou no mês passado que a Rússia não pretende entrar em guerra com a Europa, mas acusou os países europeus de se prepararem para um conflito contra Moscou. O governo russo também tem criticado o apoio militar e econômico prestado à Ucrânia.
Fonte: O Globo