O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou cinco pessoas por suposto envolvimento no cultivo de cerca de 290 mil pés de maconha em uma fazenda de Acopiara, no interior do estado. A plantação foi descoberta pelas forças de segurança em 25 de junho de 2026.
Segundo a denúncia, os acusados responderão por tráfico de drogas, cultivo de maconha e associação para o tráfico. João Holanda Neto, apontado como proprietário de fato da fazenda, e Cristiano Rodrigues de Lima, que teria arrendado e administrado o imóvel, também foram denunciados por permitir o uso da propriedade para atividades ligadas ao tráfico.
O MPCE pediu a expropriação da fazenda e a manutenção da prisão preventiva de João Holanda, Francisco Augusto Alves da Silva, Manoel Clênio Mendonça Leal Filho e Geraldo Dário Soares. Cristiano Rodrigues é apontado como foragido, segundo a denúncia.
De acordo com o Ministério Público, a área usada para o plantio tinha aproximadamente 28 mil metros quadrados, sistema de irrigação por gotejamento, barracas de apoio e maquinário importado da Espanha para o processamento da droga.
A acusação divide os denunciados em dois grupos. João Holanda e Cristiano formariam o chamado núcleo do campo, enquanto o advogado pernambucano Geraldo Dário Soares e os agricultores Francisco Augusto Alves da Silva e Manoel Clênio Mendonça Leal Filho seriam responsáveis pelo fornecimento de insumos para a lavoura.
João Holanda, de 60 anos, é apontado pelo MPCE como proprietário de fato e possuidor indireto do imóvel. A denúncia sustenta que ele continuou administrando a fazenda e manteve em seu nome serviços como energia elétrica e internet, além de ter autorizado reparos no local durante o período em que a plantação já existia.
A defesa de João informou ao g1 que não se pronunciaria. A família havia negado envolvimento no esquema e afirmado que ele arrendara a propriedade após ser diagnosticado com câncer e se afastar das atividades.
Cristiano Rodrigues, ex-motorista e natural de Acopiara, é apontado como responsável pela gestão cotidiana da lavoura. Conforme o MPCE, ele contratava trabalhadores, ordenava a compra de fertilizantes, fiscalizava os serviços, efetuava pagamentos e comunicou aos demais que a plantação havia sido descoberta pela polícia.
Francisco Augusto Alves da Silva, conhecido como Giló, e Manoel Clênio Mendonça Leal Filho, conhecido como Clênio Filho, são acusados de comprar, pagar, retirar e transportar insumos de irrigação, fertilização e proteção da lavoura. Eles foram presos em julho, após terem deixado o Ceará e se escondido em outros municípios, segundo a acusação.
Geraldo Dário Soares, de 58 anos, é apontado como responsável técnico pela plantação. A denúncia afirma que o advogado especificava os produtos a serem comprados, orientava a aplicação dos insumos e custeava parte das aquisições.
A Polícia Civil informou que identificou cerca de 160 mil pés plantados e outros 130 mil já colhidos. A corporação divulgou imagens da derrubada e da incineração da plantação, concluída em 2 de julho de 2026, conforme comunicado divulgado no dia seguinte.
A operação provocou questionamentos depois que o deputado federal André Fernandes publicou imagens de restos de plantas enterrados na propriedade. A Polícia Civil afirmou que o material correspondia a restos da plantação e de outras plantas destruídas, enquanto o governo estadual informou que apuraria possíveis irregularidades na condução e na guarda do material apreendido.
Os denunciados ainda não foram condenados. As acusações apresentadas pelo MPCE serão analisadas pela Justiça, e as defesas de Cristiano, Francisco, Manoel e Geraldo não foram localizadas pelo g1.
Fonte: g1