Empresas chinesas ampliaram sua presença em setores de tecnologia de consumo e passaram a superar concorrentes ocidentais em segmentos como câmeras de ação, carros elétricos e aspiradores robóticos, segundo reportagem publicada pelo g1 em 21 de outubro de 2026.
O avanço é exemplificado pela disputa entre a americana GoPro e as chinesas DJI e Insta360. A GoPro, que vendeu cerca de 6,6 milhões de câmeras de ação em 2015 e chegou a controlar mais de 70% do mercado, perdeu espaço após a entrada das rivais chinesas, que hoje respondem por mais de 90% das vendas globais do segmento, de acordo com os dados citados na reportagem.
A mudança também aparece no mercado de veículos elétricos. BYD, Xpeng e outras montadoras chinesas venderam quase dois terços dos carros elétricos comercializados no ano passado, superando empresas estabelecidas, como a Tesla, conforme o levantamento apresentado pela reportagem.
Especialistas ouvidos pela Deutsche Welle, cuja reportagem foi reproduzida pelo g1, atribuem o desempenho chinês à forte concorrência doméstica, às cadeias de fornecimento integradas, à automação industrial, ao uso de inteligência artificial na produção e à capacidade de lançar produtos rapidamente.
Shenzhen é apontada como um dos principais centros desse ecossistema. A cidade reúne fornecedores de componentes, fabricantes e empresas de desenvolvimento, o que permite reduzir custos e encurtar o intervalo entre a criação e a comercialização de novos dispositivos.
O crescimento das marcas chinesas, porém, ocorre em meio a preocupações sobre privacidade, segurança de dados e possível influência estrangeira. A reportagem cita uma pesquisa segundo a qual mais de 90% dos europeus desconfiam de empresas chinesas de tecnologia, enquanto cerca de 80% demonstram desconfiança em relação às americanas.
Dispositivos conectados, como câmeras, aspiradores robóticos e veículos elétricos, estão entre os produtos submetidos a maior escrutínio. Autoridades alemãs também observam que há supervisão limitada sobre possíveis transferências de dados armazenados em servidores europeus para outros países.
Estados Unidos e países europeus adotaram tarifas, listas de restrições e exigências adicionais para empresas chinesas. A reportagem afirma que essas medidas podem estimular a transferência de parte da produção para outros países e levar as companhias chinesas a investir mais em produtos premium e em fábricas no exterior.
Para analistas ouvidos pela DW, empresas ocidentais menores terão de buscar nichos específicos, criar diferenciais próprios ou estabelecer parcerias com fabricantes chineses. A velocidade de resposta dos reguladores também é apontada como um fator de competitividade na disputa tecnológica.
Fonte: g1