Empresas chinesas passaram a superar concorrentes ocidentais em segmentos como câmeras de ação, veículos elétricos, televisores e aspiradores robóticos, impulsionadas por preços competitivos, cadeias de fornecimento integradas e ciclos mais rápidos de inovação.
O avanço é ilustrado pelo mercado de câmeras de ação. A GoPro, que vendeu cerca de 6,6 milhões de unidades e tinha mais de 70% do mercado em 2015, perdeu espaço para as chinesas DJI e Insta360, que hoje somam mais de 90% das vendas globais, segundo dados citados pela reportagem.
A mudança também aparece nos carros elétricos. BYD, Xpeng e outras montadoras chinesas venderam quase dois terços dos veículos elétricos comercializados no ano passado, enquanto a Tesla e outras marcas tradicionais enfrentam concorrência crescente.
Especialistas ouvidos pela Deutsche Welle atribuem o desempenho chinês à forte disputa no mercado interno, à concentração de fornecedores em centros como Shenzhen, Hangzhou e Xangai, à automação industrial e ao uso de inteligência artificial na fabricação.
Startups estrangeiras também recorrem à estrutura chinesa para reduzir custos e acelerar o lançamento de produtos. Joey Cheng, fundador da americana Prolo Ring, afirmou que quase toda a produção de sua empresa ocorre em Shenzhen, onde a proximidade entre fabricantes facilita o desenvolvimento de dispositivos eletrônicos.
O crescimento, porém, ocorre em meio a preocupações sobre privacidade, segurança de dados e possíveis transferências de informações para autoridades. Empresas chinesas afirmam cumprir as regras europeias de proteção de dados, mas autoridades alemãs apontam que a supervisão sobre servidores europeus e legislações de segurança nacional podem limitar as garantias oferecidas.
Estados Unidos e países europeus também adotaram tarifas, restrições comerciais e exigências adicionais para empresas chinesas. Para o especialista Chris Pereira, essas medidas podem acelerar a instalação de fábricas fora da China e estimular marcas do país a disputar segmentos premium, nos quais a confiança do consumidor pesa mais.
Fonte: g1