O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu R$ 4 milhões da banca de Edvaldo Nilo de Almeida em duas parcelas pagas em agosto e outubro de 2025, antes de o Senado aprovar o nome do advogado para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Segundo Nilo, os pagamentos foram feitos por serviços advocatícios prestados em conjunto pelos dois escritórios a clientes privados. Ele afirmou que não houve envolvimento de recursos públicos nem participação de entes federativos.
Uma parcela de R$ 2 milhões foi paga em 6 de agosto de 2025, e a outra, em 21 de outubro, três semanas antes da votação no Senado. Nilo informou que o contrato, firmado em abril daquele ano, foi encerrado na data do segundo pagamento.
De acordo com informações do Senado, Flávio Bolsonaro votou na sessão que analisou a indicação de Nilo, mas não é possível saber como o senador se posicionou porque a votação foi secreta. O nome foi aprovado por 54 votos a 3.
Nilo integra o CNMP desde 2023, em uma vaga destinada à Câmara dos Deputados, e foi reconduzido em 2025. Antes da votação no plenário, ele recebeu o aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a partir de relatório do senador Angelo Coronel (PSD-BA).
O advogado também integrou a Comissão de Ética Pública entre 2022 e 2025, após ser indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.
O escritório de Flávio emitiu notas fiscais que somam ao menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026, segundo levantamento do UOL confirmado pelo GLOBO. Os documentos apontam pagamentos em contas mantidas no Santander e no BRB.
Procurado, o escritório de Flávio afirmou que os valores correspondem a uma atividade regular. Nilo também declarou que os serviços foram efetivamente prestados e que as notas fiscais foram emitidas antes dos pagamentos.
Fonte: O Globo