Decisões da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), com data de corte em 30 de junho de 2026, identificaram dívidas entre clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, além de pendências com jogadores, comissões técnicas, funcionários e autoridades públicas.
Na Série B, oito clubes declararam atrasos em pagamentos por contratações realizadas a partir de janeiro de 2026. Dezoito equipes tinham valores a receber, que somavam R$ 3,6 milhões. Após a notificação dos devedores, R$ 1 milhão foi pago e R$ 2,6 milhões permanecem em aberto.
O cruzamento das decisões mostra que os débitos formam uma rede entre clubes. O Santos aparece como credor do Ceará e do Atlético-MG; o Fluminense tem valores a receber da Ponte Preta e do Náutico; e o Cruzeiro é citado em obrigações relacionadas ao Náutico e ao Grêmio, neste último caso por um contrato de 2025.
Vasco e Athletico-PR também aparecem em obrigações recíprocas ligadas a transferências. O clube paranaense alegou que poderia compensar uma parcela vencida com um crédito que teria a receber do Vasco, mas a agência registrou que a compensação não havia sido efetivada e manteve a cobrança.
As dívidas anteriores a 2026 estão submetidas a um período de transição, com término previsto para 30 de novembro. Já os débitos assumidos neste ano estão sujeitos às sanções previstas no regulamento, incluindo a proibição de registrar novos atletas em determinadas situações, o chamado transfer ban.
Grêmio, São Paulo, Atlético-MG e Internacional receberam punições mais severas e poderão sofrer transfer ban caso não quitem, em até 45 dias, dívidas contraídas em 2026. Corinthians, Botafogo, Vitória, Santos, Remo e Vasco foram advertidos.
A fiscalização também encontrou pagamentos feitos após a data de corte, acordos sem documentação adequada e declarações divergentes, situações que exigiram análise individual. O Fluminense é o único clube pendente com débitos existentes que não aparece no relatório, mas informou suas pendências à agência.
Clubes da Série A articulam um pedido à CBF para ampliar o prazo de adaptação às regras. A previsão é formalizar a solicitação após o retorno de equipes que se comprometeram a se manifestar até 23 de outubro.
Segundo um representante da articulação, a extensão não significaria rejeição ao fair play financeiro, mas o reconhecimento da dificuldade de alterar a situação financeira dos clubes em 11 meses. O Santos lidera a tentativa de prolongar o prazo e afirma buscar acordos com Ceará e Atlético-MG, que têm obrigações pendentes com o clube paulista.
O pedido enfrenta resistência de clubes credores, incluindo equipes da Série B. O Santos afirma defender soluções negociadas para evitar punições mais severas e diz que a cobrança deve considerar as dificuldades compartilhadas pelas instituições.
Fonte: O Globo