O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU anunciou na segunda-feira que reduzirá as operações humanitárias na Faixa de Gaza por falta de financiamento, deixando cerca de 500 mil palestinos sem assistência alimentar mensalmente.
A agência informou que quase 1,4 milhão de pessoas, aproximadamente dois terços da população do enclave, enfrentam níveis críticos de insegurança alimentar. Outras 200 mil estão na fase de emergência, um nível abaixo da classificação de fome generalizada.
Segundo Shaun Hughes, diretor do PMA para os territórios palestinos, a redução não ocorre por falta de acesso para distribuir os alimentos, mas pela escassez de recursos. Ele afirmou que os avanços obtidos desde o cessar-fogo entre Israel e o Hamas continuam frágeis.
O número de beneficiários cairá de até 1,8 milhão para 1,1 milhão por mês a partir de outubro. O PMA também reduzirá pela metade as cestas distribuídas às famílias e diminuirá de 250 mil para 150 mil o total de refeições quentes servidas diariamente.
A assistência financeira para 75 mil famílias também será reduzida, de 1.250 para 750 shekels mensais. A agência afirma precisar de quase US$ 450 milhões nos próximos seis meses para manter e restabelecer programas essenciais em Gaza e na Cisjordânia.
O financiamento recebido pelo PMA para os territórios palestinos em 2026 correspondeu à metade do volume habitual. A organização atribui parte da queda à redução das contribuições dos Estados Unidos e de outros países doadores.
O PMA ampliou as operações depois do cessar-fogo e chegou a atender entre 1,5 milhão e 1,8 milhão de pessoas por mês. Em 2026, os programas da agência alcançaram cerca de 1,6 milhão de palestinos, o equivalente a três quartos da população de Gaza.
Dados citados na reportagem indicam que uma em cada oito crianças do território sofre de desnutrição crônica ou apresenta atraso no crescimento. O Unicef alertou que parte delas pode ter sofrido danos permanentes após a privação alimentar prolongada.
Fonte: O Globo